De São Paulo a Norwich

26 abr

Este post é um pouco longo. Mas, a viagem foi composta de várias etapas, as quais são narradas abaixo. Desde o embarque em São Paulo até a chegada em minha hospedagem, levei quase 24 horas e tomei meu primeiro “couro” no inglês.

Primeiro, sobre a viagem:

Meu vôo saiu de Guarulhos às 23h40 da última sexta-feira (23), sem atrasos. Voei TAM e me surpreendi positivamente: em cada poltrona tínhamos um painel de controle próprio, onde podíamos selecionar de filmes a envio de e-mail e SMS. Mesmo a classe econômica sendo algo sem muita variação, este vôo foi bem satisfatório.

Minha poltrona era a 28K (de Keila!), num conjunto de três – K, L e M. Sortuda que sou, o passageiro que sentaria ao meu lado, na poltrona L, faltou. Ou seja: dei uma esticadinha de corpo na poltrona vazia e dormi por várias horas. Na poltrona M, um senhorzinho tinha uma dificuldade enorme de entender a lógica daquele painel. Dei uns pitacos a ele porque sou solidária, mostrando como funcionava o menu e onde deveria ser encaixado o fone de ouvido.

Em vários momentos, tivemos turbulência, o que me fez pensar muito sobre a morte. Quando chegamos a Londres, me senti feliz por continuar viva e não causar pesar naqueles que amo com um falecimento repentino.

No aeroporto

Chegando no aeroporto de Heathrow, em Londres, às 15h, hora local, era hora de passar pela imigração e por aquele procedimento padrão: mostrar passaporte, polícia checar suas informações e fazer um pequeno interrogatório. Era uma fila grande. Fomos divididos, naturalmente, entre pobres e ricos: membros da Comunidade Europeia de um lado. O resto, do outro. Uma espanhola, grossa que só ela, foi bem estúpida comigo, mas, vou poupar os leitores deste detalhe sórdido. Só adianto que ela foi chamada pelo agente mais ríspido para apresentar seu passaporte. Sinto-me vingada.

Ao olhar a atuação dos agentes, fui emanando vibrações positivas para ser chamada por uma das mulheres, que pareciam ser bem amáveis. Vi uma garota ser entrevistada durante minutos a fio por um agente bonachão, que ficava sempre com um riso esgueirado na boca. Não fosse um local sério, posso jurar que ele estava constrangendo a moça propositalmente. Dois indianos foram postos num banquinho – descobri mais tarde que suas bagagens precisariam ser revistadas.

Bem, chegou a minha vez e, surpresa, fui enviada ao agente bonachão. Ela tinha cerca de 30 anos, rabo de cavalo e parecia estar brincando, o que me deixava mais nervosa. Corrigia meu inglês, falava “não é assim que se fala”, e tal. Pediu para ver a minha carta da escola, me fez algumas perguntas como: “quanto tempo você vai ficar aqui?”; “por que quer estudar inglês?”; “você tem dinheiro para se manter aqui?”; “é permitido a você trabalhar? Quantas horas?”. Depois de eu responder a essas questões, ele deu um suspiro profundo e carimbou meu passaporte. Eu havia, portanto, passado pelo temido aeroporto de Heathrow! Esse processo levou cerca de uma hora e meia. 

Dica: estudantes do Brasil que tirarem visto levem todos os documentos apresentados para o Consulado. Na imigração, eles podem checar tudo de novo.

Liberada que fui, passei por um setor, onde vi as malas da indiana, do banquinho, serem revistadas.

Do aeroporto a Norwich – um longo caminho

A viagem de Londres a Norwich foi um pouco longa – e cara, infelizmente. Precisei pegar dois metrôs e um trem para chegar à cidade de destino.

Eu nunca havia andado de metrô antes e nunca havia pedido e recebido informações em inglês. Mas, foi uma experiência muito legal! Ao final, me senti alguém capaz e independente. Neste meio tempo, curei definitivamente meu medo de escada rolante, já que tive que descer três lances, com três malas, para ter acesso ao terminal do metrô dentro do aeroporto.

No caminho da escada ao terminal de metrô, não encontrei nenhum depósito de lixo. Creio que seja uma medida de segurança, para que estes locais não sejam usados como esconderijo para bombas.

Peguei o Heathrow Express até a estação Paddington. Lá, acessibilidade zero, contei com a ajuda de ingleses simpatissíssimos, que me ajudaram com as malas para descer e subir escadas – não há rampas! No Terminal 16, peguei outro metrô para a Liverpool Street Station, de onde partem trens a cada meia hora para o leste inglês. A viagem a Norwich durou cerca de 2 horas.

No caminho, uma paisagem bonita, com árvores ainda secas, retrato de uma primavera que não chegou totalmente. Com o dia mais longo, o sol deu as caras até às 19h30, o que me permitiu fazer uma pequena filmagem, que será postada aqui ainda nesta semana.

Conforme o sol foi baixando, o frio tomou conta do ambiente. A meia que coloquei na frasqueira de viagem foi definitiva para que eu não congelasse por inteira.

 Já na cidade, fomos “recepcionados” por alguns garotos bêbados de alguma torcida misteriosa que, empunhando Heinekens, cantavam e gritavam algo incompreensível, rs.

 Chegada na host family – uma surpresa agradável

Ao chegar na casa de Mrs Sheil me surpreendi ao ver que ela não é nenhuma senhorinha solitária, como havia pensado. Ao contrário: aparenta ter quarenta e poucos anos, é bonita, toda sorridente e calorosa. Me ordenou que deixasse as malas ali mesmo, no corredor, enquanto seu filho, Reddan, quase da minha idade, também veio me recepcionar. Mal entrei na casa e já fui levada à mesa, onde conheci os demais presentes, que bebiam animados depois do jantar.

Reddan saiu com os amigos e Sheil fez um “típico” jantar para mim: pão tostado com feijão enlatado e bacon. E só.

Subi, guardei as malas e dormi até às 13h do dia seguinte.

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6 Respostas para “De São Paulo a Norwich”

  1. Ticiane 27 de abril de 2010 às 1:10 am #

    Amiga, me desculpa, mas eu ri ALTO com esse comentário: “Em vários momentos, tivemos turbulência, o que me fez pensar muito sobre a morte. Quando chegamos a Londres, me senti feliz por continuar viva e não causar pesar naqueles que amo com um falecimento repentino.”
    Só faltou um “É a sensação de rodar e rodar e rodar, sem saber exatamente para onde estava indo, ou como se já estivesse no céu (…)” HAHAHAHAH

    Mas agora sério… Viu só quantas conquistas em menos de 3 dias? Você foi capaz de pedir e receber informações em inglês – e sozinha! – e ainda perdeu o medo de escadas rolantes. Parabéns!!! Fiquei ainda mais orgulhosa ao ler cada frase desse post. De verdade. E aliviada também por saber que a recepção foi calorosa.

    Quanto aos garotos bêbados empunhando Heinekens, bem, essa é ou não é a cidade com o maior número de pubs per capita, hein? rsrs

    Um beijão, Keilitcha! Estou curiosíssima para saber mais novidades.

  2. Heitor 27 de abril de 2010 às 11:45 am #

    Keila!!!

    Você não sabe como fico feliz ao receber essas suas novidades!

    Estava mesmo ansioso para saber como foram os “ritos” de passagem para essa nova vida: passar pela imigração, o primeiro metrô, a primeira vez que pediu uma informação em inglês (sem a opção “falar em Português”, caso ele não me entenda). Orgulho #modeon de ver uma amiga tão especial começando com o pé direito (com meias fofas!) essa vida na Inglaterra!

    Mas e aí: quero saber as próximas novidades! Como foi o primeiro dia de aula? De onde você mandou este post, se já encontrou algum café com wi-fi!

    E não mais fala mal dos torcedores empunhando Heinekens! Poderíamos ser nós mesmos!!!

    Keila, Keila, Keila: Beijo!

  3. Fe 27 de abril de 2010 às 5:50 pm #

    Keilaa!!!

    é a primeira vez que estou comentando mas saiba que sempre acompanho viu!!

    Que delicia estes posts!!Muito bom saber como vc esta, como amiga..e saber como é a vida de um intercambista, já que em breve serei uma ne!!Estou amnado!!otima ideia!!

    Mas que bom q sua familia foi calorosa..espero que se mantenham assim!!

    Estou esperando mais novidades!!
    bjus linda!!

  4. Marina 27 de abril de 2010 às 9:10 pm #

    Parabénssss Keiilitiaaaa !!! Adoreiii a sua saga!!! Ri alto tb do seus comentários!!! hahahahahahahahahahahaha…

    Estarei aqui sempre acompanhando e comentando!!!

    Bjão,

    Tavares

  5. Tainá 28 de abril de 2010 às 11:21 am #

    Hahaha… adoreeeeeei o relato!
    Deu pra imaginar direitinho tudo o que vc foi passando.
    Fico realmente feliz e aliviada por vc não nos ter causado pesar com um falecimento repentino, hehe.
    Quando vc mencionou as escadas rolantes e a superação dos seu medo, lembrei imediatamente das escadas rolantes intermináveis do metrô de Londres!
    Que bom que tudo correu bem como planejado!
    Tô mto feliz de saber que vc agora tá tão pertinho, no mesmo hemisfério, no mesmo mar (pq a gente não tá em continente, né) e no mesmo fuso-horário!!!
    Mil beijos, beibi! Não vejo a hora de saber mais!!!

  6. Tainá 28 de abril de 2010 às 11:32 am #

    Ah, só não conseguir vizualizar as últimas duas fotos, não sei pq.
    Vc tem que criar um álbum no Picasa!!!
    Bjs

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