Muito além de um curso de idiomas

Muita coisa interessante aconteceu nesta metade de semana. Como tenho a sensação que cada diálogo que travo é importante, parece que estou aqui há dias! Neste post, vou me fixar nos primeiros dois primeiros dias de aula, que foram bem interessantes.

First Day – Nice to meet you too!

Na segunda-feira, cheguei à escola com 50 minutos de antecedência. Fui recepcionada pelo proprietário, que me ensinou como abrir a porta (todas as portas deste país emperram). Subi para o Study Centre, uma sala com livros e computadores.

De repente, um furacão parece ter entrado na sala. Uma moça que falava alto, cheia de gestos, já foi logo apertando minha mão e comemorando “oh, new student!”. Cristina é uma italiana que faz curso intensivo, e é divertidamente efusiva. Em questão de segundos, me apresentou dois amigos, um da Líbia e outra da Tailândia, e sumiu escada acima.

O primeiro dia de aula ocorreu no Study Centre mesmo e foi inteiro dedicado a testes. Éramos três estudantes iniciando: Farah, da Arábia Saudita, Saskia, da Alemanha, e eu, Brasil (ohh! – é o que todo mundo faz quando digo que sou do país-tropical-abençoado-por-deus). A gerente da escola, Helen, foi a responsável por aplicar os testes, compostos por quatro “provas” sobre gramática, composição textual com o tema: as motivações de estudar inglês, além de uma história em quadrinhos e, por último, uma entrevista, para avaliar nosso nível de conversação.

Farah, o árabe, era um pobre coitado que não sabia responder a mais modesta das questões. “What is your name?”, e ele respondia: “Yes”. “Where are you from?”, e ele respondia “Yes”. Saskia, a alemã, ria do pobre Farah, que talvez nem isso compreendesse.

Nesse tempo, tivemos um break, um intervalo, e Farah não entendia que era hora de dar uma volta, tomar um chá e voltar. Helen teve que colocá-lo para fora da sala. Solidária que sou, me comprometi a cuidar dele. Saskia continuava rindo de Farah. Na porta da escola, conversando, a alemã mostrou suas garras: riu do modo como os japoneses falam e ficava toda hora explicando como era difícil aprender francês, como se inglês ela já soubesse. Ahãm.

Após o intervalo, subimos para a última parte do teste e fomos liberados.

Segundo dia – novos colegas!

Na terça-feira (27), conheci de fato minha turma: Ingrid e Rafa, espanhóis, Misao, Ayono e Gen, japoneses, uma aluna da Suíça e Valentina, da Itália. Quase todos os continentes representados por cada aluno ali presente. Cada um se apresentou, disse o famoso “Nice to meet you” (que eu sempre tenho vergonha de responder a mesma coisa de volta) e eu me apresentei. Disse que era do Brasil e todo mundo soltou um “ohh”.

Na segunda parte da aula foi que eu comecei a aprender um pouco sobre intercâmbio cultural. Anette, a professora, pediu que nos juntássemos em duplas. Tirou o espanhol do meu lado e colocou Gen – que não gosta mais de mim. Fizemos um teste bem difícil. Não porque era em inglês, mas porque tratava de questões um pouco complicadas para alguém que não lê “Guia dos Curiosos”.

Questão 1: Qual o país com a maior costa do mundo?

Gen me perguntou e eu respondi que não fazia idéia. Chutei Rússia e ele me respondeu que “não, não é. É o Canadá”. Assim, questão a questão, ele passou a achar-me indigna de ser sua parceira. Depois, questões como as cinco cidades mais populosas do mundo, cidades que estão ao norte dos Estados Unidos e blábláblá. Obviamente, que não sabia nenhuma delas. Mas, descobri algo incrível: todos eles sabiam ou tinham pelo menos uma idéia das respostas corretas. Gen sabia até o formato do rio Nilo! E pior: que era diferente do formado do rio Amazonas.

Fizemos ainda mais dois testes nestes moldes, mas com perguntas sobre Belfast, Irlanda, Erin, EUA, Perth, Austrália, e Port of Spain, Caribe. Nesse, eu fui melhor, porque sabia, por exemplo, que Perth e Belfast foram possessões Inglesas, assim como Caribe e tínhamos uma foto de cada lugar – e raciocinávamos com base nessa informação. Mas, a essa altura, Gen já tinha dado seu veredicto sobre as minhas habilidades intelectuais. No final, era para confrontarmos nossas questões e ele se recusou delicadamente a fazer isso, preferindo me ignorar e falar com a suíça.

No final da aula eu me esforcei para que isso não machucasse o meu ego. E pensei que ele é só um japonês que vive em Tokyo, muito inteligente, mas que tem uma pronúncia péssima no inglês e que ninguém nunca vai entender o que ele fala.

Mas, obviamente que tal pensamento me ocorreu apenas por alguns segundos. Eh importante ter Gens e afins para o aprendizado que almejo aqui. 

Entao, thanks Gen! (embora ele nao diga You are welcome).

5 pensamentos sobre “Muito além de um curso de idiomas

  1. Amiga, não liga pro Gen. Já sabe, né? Complexo de pinto pequeno.

    Maldades à parte, achei o máximo a sua turma ser dão diversificada assim! Já imaginou o quanto você vai aprender com essas pessoas de culturas tão diferentes e tão ricas? Sim, até com mesmo com a Saskia e o Gen, com quem você vai praticar a tolerância e a racionalidade.

    Como te disse hoje pelo msn, não se preocupe que você vai arrasar nesse curso!

    Adorei o post! Mais, mais, maaaaaaaais… rs. 🙂

  2. Olá minha querida filha! Você está realmente cumprindo o que prometeu, mandando notícias sempre.
    Que interessante esse seu curso aí, hein? Incrível a atividade que vcs fizeram na escola. Achei muito interessante e que bom que você não sabia, assim aprendeu um montão de coisas.
    Seu aprendizado será bastante rico.
    Te amo e estou muito feliz por voc, minha linda.
    Beijos.

  3. Nossa, é verdade! TODO MUNDO faz “ohhh” quando a gente fala que é do Brasil, hehe
    E se te consola alguma coisa, eu tb nunca sabia nada dessas perrguntinhas “guia dos curiosos”, e sempre errava tudo… vc supera isso, keilinha!
    Muito legal ler suas primeiras impressões!
    Beijos

  4. Ah Keilinha que bom saber que você está bem, e tambem vai ser um grande crescimento conviver com pessoas de todas as culturas, e nem todas as pessoas são afaveis como vc.
    Querida estou com muitas saudades e torcendo por você o tempo todo.. um super bjooo

  5. Divertidíssimos seus posts, estamos (eu e a estagiária Camila Campos, não a Ana Camila) devorando tudo o que você escreveu. E, realmente, quem precisa saber do formato do rio Nilo? kkkkkkkkkkk

    Abçs

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