Uma host family para chamar de minha!

Antes de viajar, algo que me deixava um pouco apreensiva era a minha “host family”. O que esperar? Como devo me comportar?

Procurei informações em blogs, questionei minha agência, mas tudo era muito vago. Sendo assim, solidária que sou, organizei esse post para falar um pouco de como é a minha host family.

Em primeiro lugar, é bom grifar que minha família não é típica. Na verdade, eu tive uma espécie de “sorte grande” e caí numa casa um pouco diferente do que vejo meus amigos e colegas de escola relatando. No entanto, dividir essa experiência pode ajudar novos intercambistas a esboçar o que pode ser uma host family.

Em primeiro lugar: tem um coelho de estimação na casa!!!! Só por isso, digo que essa família é muito legal!!!! Artie é lindo, fofo e tenho certeza que ele me ama! Não pode me ver e já vem roçar no meu pé, me dar mordiscadinhas. Daí, eu o pego no colo e dou um baita apertão, todos os dias, só porque ele é muito fofo e meu último coelho morreu assassinado pelo meu proprio cachorro.

O que me é de direito

Bem, comprei um mês de acomodação com direito a café-da-manhã e jantar todos os dias, incluindo almoço nos finais de semana. Isso é um tanto comum, mas é bom observar exatamente o que se está escolhendo: alguns pacotes que li sobre Londres, por exemplo, só incluíam café da manhã.

Mrs Sheil (minha host mother), no primeiro dia, me mostrou como seria a minha vida aqui: eu preparo o meu café e ela, o jantar. Me apresentou tudo o que eu poderia comer (o que ela não apresentou eu não toco, esperta que sou), e que fim dar na louça (que vai para a máquina de lavar louça).

Acordo todo dia, vou à cozinha, preparo meu chá, ponho umas gotas de leite e faço uma torrada. Tem uma chaleira elétrica muito fofa na cozinha e uma torradeira muito eficaz! Se eu quiser comer cereal também tem aos montes, mas eu odeio cereal.

No jantar, cada dia o cardápio é diferente e Sheil e suas filhas é que preparam a comida – embora eu sempre me prontifique a ajudar.

 Auxílio

Óbvio que eu não tenho que fazer serviços domésticos e nenhum estudante tem que fazer isso. Mas, oferecer ajuda para retirar ou colocar a mesa, guardar as compras ou coisa assim não faz cair a mão de ninguém. Como os ingleses dão muito valor às ações espontâneas de boa educação, creio que agir assim possa ajudar o estudante a ter um convívio mais harmonioso com sua família.

Dia-a-dia

A minha rotina na casa é a seguinte: acordo cedo, faço meu café e vou para a escola. A tarde fico no centro da cidade fazendo qualquer coisa. Volto lá pelas 17h, porque o jantar na Inglaterra/Irlanda é cedo – por volta das 18h. Minha família, por não ser muito tradicional, nunca tem hora para jantar. Porém, muito importante:

Como o horário É às 18h, sempre que vou me atrasar devo ligar ou enviar uma mensagem de texto. Assim, ninguém cozinha para mim. Isso é muito importante!

Na hora de fazer o jantar, vezes fico no meu quarto, vezes desço. Como eles são muito legais, sempre fico na cozinha com as meninas: bebemos vinho e conversamos, ofereço ajuda em qualquer coisa e falamos sobre amenidades. É bom porque eu exercito meu inglês e porque tenho com quem conversar sobre o meu dia.

Acredito que o estudante participar da vida da família é uma via de mão dupla: ele deve se esforçar para isso e a família tem que dar abertura também.

Cardápio

A comida inglesa é famosa pela sua capacidade de ser insossa. Isso não é só maldade. Aqui não há muita variação e a comida é bem diferente da brasileira. Você encontra muita fritura, embutidos, carne de porco (até agora, não comi carne de vaca aqui – é a mais cara de todas) e de aves (embora pato seja caro) e muita, muita, mas muita batata.

Na minha família, as filhas de Sheil adoram cozinhar: então, cada dia elas inventam algo diferente, e adoram testar molhos e condimentos. Mas, é ótimo, porque, por gostarem de cozinhar, a comida acaba sendo muito boa!

Dica: se você achar que a comida está sem sal, aconselho a não dizer isso com todas as letras, porque pode não ser muito educado. É sabido que alterar a comida é uma ofensa ao cozinheiro. Mas, suspeitando que a regra fosse diferente aqui, certo dia murmurei: ‘vou pegar o sal’. Mrs Sheil me explicou que isso não era preciso porque ela já havia posto sal o suficiente na comida.

Aqui, creio que os alimentos sejam algo caro, então tudo é pouco. Eu não como grandes porções de comida, o que me ajuda muito a ser uma pessoa educada. Minha dica para quem não é desse tipo é que encontre um supermercado o quanto antes e sempre tenha no quarto algo para os momentos de emergência. Uma loja Tesco, por exemplo, é ótima: é um supermercado super barato, porque vive da exploração de países em desenvolvimento (por ter se graduado em Development, Mrs Sheil sempre grifa a atuação da rede Tesco).

O que não me é de direito

Bem, o que não me foi permitido usufruir na casa me é proibido – pelo menos, é essa a conta que faço.

Sheil me ofereceu para eu utilizar a geladeira dela. Então, agora, eu me autorizo a comprar lanches, comidinhas e a minha cerveja e a colocar lá. Mas, não é porque é minha cerveja que eu não vou dividir: sempre que vou abrir uma, ofereço, e eles ficam muito felizes em receber uma gentileza gratuitamente.

Não sabia se podia lavar minha roupa. Perguntei e fui liberada. A filha de Sheil me perguntou se eu gostaria de usar o wi-fi da casa. Me disponibilizou a senha e ainda me ajudou a configurar o meu computador! Eles são muito fofos.

Resumindo: acredito que passar um tempo na casa de uma família desconhecida é uma experiência muito legal. O exercício da convivência, da tolerância é enriquecedor. Para fazer as coisas corretamente, acredito que a observação é o melhor caminho. Para não fazer bobagem, as regras de boa educação são as mesmas, estando no Brasil ou na Inglaterra.

6 pensamentos sobre “Uma host family para chamar de minha!

  1. Keila! Sua família é muito legal!!!
    Legal as dicas pra quem pretende vir, bem úteis; e realmente, as regras de boa educação valhem em todos os lugares.
    Mas conta: o que é Primm? hehehe

  2. rsrs. É uma bebida um pouco forte (24% o teor alcoolico), mas não tanto quanto um destilado. Eles usam para fazer drinks, que geralmente são docinhos, tipo para mocinhas.
    Mrs Sheil certo dia bateu na porta do meu quarto com um lindo copo desses! Tinha folhas de hortelã, uma rodela de pepino e muuuuito gelo. Delíiiicia!

  3. Vou acabar perdendo meu emprego, porque sempre que fico entediado, esqueço do que estava fazendo para ler seu blog, hahaha!

    Ok, sua família pode até ser um pouquinho diferente e fofa, mas a convivência com Keila Guimarães não é nem um pouco difícil né, vamo combina? rsss.

    Continue atualizando, quanto mais informações, mais vontade tenho de ir… Qualquer dia a gente se cruza na terra da rainha e você não vai entender nada haha.

    Um megaaa beijooo
    Se cuida =)

  4. Meu amor! Você escreve cada dia mais solta e divertida. É uma delícia acompanhar suas descobertas, olhando pelos seus olhos. Ansioso para conhecer sua cidadezinha e – especialmente – ver você. Beijo!

  5. Olá Keila
    enfim o post sobre a família! estava curiosa! rs
    muito bom viajar e conhecer a terra da rainha com você…
    já estamos com saudades
    bjos

  6. Nossa, sua família é mesmo fora dos padrões, Keila! Mas eu sempre acho que um pouco de boa vontade, boa educação e um sorriso na cara são suficientes pra tornar qualquer relação intercambista/host family agradável. E ter uma hostfamily legal é uma das principais coisas pra fazer você gostar do lugar e da experiência!

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