Balada high school

Esse final de semana (28) começou sem muitas expectativas. Da minha sala, todos os estudantes estão ocupados: Ayano está indo para Londres e Valentina e Ingrid estão estudando para o PET (exame de proficiência de língua inglesa) que acontece na próxima semana. Sem companhia, minha sexta-feira era para ser bem calma. Que notem o grifo: era.

Minha host mother, Sheil, viajou a trabalho – vai passar um fim de semana acampando com um monte de criança. Rwim, sua filha caçula, 18 anos, encerrou o primeiro semestre (agora, os alunos começam os exames). Para comemorar, resolveu fazer um jantar para alguns amigos. Festinha, ahãm.

A programação era a seguinte: os alunos sairiam da escola às 15h e iriam ao pub, onde ficariam até às 18h. Do pub, viriam para a casa fazer o jantar. Belo começo.

Lá pelas 19h, quando ouvi o barulho na cozinha, acompanhado de um cheiro muito bom, resolvi descer e propor ajuda às meninas. Rwim me apresentou seus amigos e ficamos lá conversando. Olhando para eles, entendi de onde saem os filmes de high school. Todos eles são como personagens clássicos de um desses filmes de adolescentes:

Jakie, o bonitão da escola, acompanhado da namorada antenada em moda e que come pouco para manter o corpitcho; Steve, o gordinho engraçado, que todo mundo adora, mas que não pega ninguém; James, o introvertido e que as garotas amam, porque trata todas com carinho; Suzi (ela é a cara da Natalie Portman), meio doidinha, com pendores para o homossexualismo; Katie, a gordinha melhor amiga que sofre porque sempre se apaixona pelo bonitão, mas não é assediada por ninguém; Lilly, numa aura meio rebelde, é daquelas que oferece o primeiro cigarro de maconha para as amigas inocentes, e é sempre justa e leal. E alguns escadas, necessários para que o filme aconteça. Traçados os personagens, vamos continuar no nosso roteiro.

O jantar foi servido e todos estavam calmos. Como pareciam um pouco sóbrios, resolvi subir para o meu quarto, a fim de esperar que o consumo do álcool tornasse aquele encontro mais dinâmico.

Duas horas depois, retornei. Na sala, numa alegria incontida, todo mundo queria conversar, interagir, ter contato físico. Na cozinha, uma versão meio funk, meio rap de “when I get older, losing my hair, many years from now…” ratificou o clima inglês daquela festinha. Garrafas de vodka e de refrigerante enfeitavam o ambiente, o que me fez concluir que o consumo de Askov com Coca-cola por adolescentes é meio universal.

Todos já estavam bem mais que alegrinhos. Um garoto começou a me falar, por horas e horas, de sua futura viagem a América do Sul e seu desejo de conhecer a floresta amazônica. Molly e Lilly contaram que fizeram um bolão para a Copa e apostaram no Brasil (não achei um momento propício falar da escalação de merda do Dunga) e Katie e eu ficamos discutindo quais eram nossas músicas preferidas dos Beatles. Quando ela mesma cantarolou Hey Jude, ficou emocionada. “Essa música me dá vontade de chorar”, disse. Ela não entendia que não era a música que gerava esse efeito, mas a quantidade de álcool ingerida.

Música alta, garotas dançando, garotos dislexos que, por não saber o que fazer, fazem idiotices, mesas e cadeiras arrastadas, pista de dança improvisada, gente ameaçando ir dançar na rua – mera semelhança com as festas juvenis no Brasil são mera coincidência.

De repente, não mais que de repente, alguém dá a bela idéia: vamos pra balada! Meninas desatam a correr escada acima, retocar a maquiagem, pegar o salto alto e botar a sapatilha na bolsa (todo mundo leva uma sacolinha com o sapato baixo, na maior moral, para a volta da balada – lembrem-se: são adolescentes).

O pior de tudo isso: eu fui junto! Mas, é que àquela hora, me parecia uma boa ideia… Afinal, numa terra estranha, o objetivo é provar o novo, mesmo que isso exija doses significativas de bom humor.  

No Henry’s Bar (que eu sempre soube ser um pub), começava o inferno na terra: o lugar mais “divertido” da balada era uma tenda minúscula, de cara para os “djs”, onde todo mundo empurrava todo mundo. Você estava dançando e, de repente, quando fulano ia sair da tenda, você saia junto. Era quando você percebia que não tinha estado pisando no chão, mas sim suspensa entre dois corpos.

Os djs não conseguiam tocar uma música com um compasso de “um-dois-três-quatro” ou de “um-dois-três”. Sendo assim, dançar era impossível! Achei um “chiqueirinho”, bem ao lado da caixa de som, onde eu tinha 15 cm para me movimentar e amaldiçoar os djs por aquelas músicas (a mais requisitada era uma cuja letra toda era: “I like, I like, I like it”). 

De repente, a música parou. A balada tinha acabado! Assim, sem mais nem menos! Daí, como final de festa é sempre o mesmo, Rwim ficou brigando com o namorado, todo mundo se despedindo e uma galera indo comprar comida – não em carrinhos de lanche ou numa pizza 24h. O lanche é fish & chip! Muito original, rs.

Caminhando com Jessie, Suzie e outra colega, cheguei em casa às 3h30. Noite longa ao rei!

Enfim: continuo firme em minha missão de experimentar o que há de mais inglês nesta terra. No próximo post, detalhes sobre uma festa no jardim de um Lorde.

2 pensamentos sobre “Balada high school

  1. Eu li esse texto inteiro imaginando tudo. e rindo, claro!Teve algo em particular que me não me soou estranho: pessoas dançando embaladas pelo álcool, ameaçando ir para a rua. Já ouvi dizer que isso acontece bastante, né? hahah

    Bom, tá certo que baladas techno não são as mais divertidas mesmo, nem os ingleses devem ser as pessoas mais animadas do mundo. Acho que se fôssemos você, Heitor e eu, chocaríamos a todos e seríamos queimados vivos na praça de Norwich. #fato

    Como você disse, a ideia é se permitir e experimentar o diferente. Ainda que nem tudo seja bom, mas pelo menos você terá muitas (e boas) histórias para contar numa mesa de bar, não é mesmo?

    Keep in touch, sweetie.
    Luv ya.

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