Quando você tem cartões old fashion

É assim que a minha professora qualificou os meus cartões bancários: old fashion.

E não é exagero. Quando se fala em cartões de débito e de crédito, nosso país está atrasado tecnologicamente. E esse atraso vem me causando alguns problemas. O maior deles é que meu cartão livre de taxas de saque simplesmente não funciona nos caixas eletrônicos da Inglaterra! Por ainda ter a senha de quatro dígitos e não possuir chip, não é aceito nas máquinas.

Falando em chips, são eles a pedra no meu sapato. Os cartões daqui têm essa coisinha minúscula incrustrada bem no meio e são lidos por máquinas específicas. Já os nossos, com aquela barra magnética atrás, precisam de leitores diferentes, que, aqui, são considerados antigos.

Com essa grande diferença, dá para adivinhar que em várias lojas nenhum dos meus cartões é aceito. E, quando são, não coloco a senha: tenho que assinar um papel, como aqueles papeizinhos que assinamos quando usamos os cartões de crédito no Brasil. Sendo assim, sua assinatura é seu céu.

Como no Brasil a gente tem que ou pôr senha para usar o de débito, ou mostrar a identidade para usar o de crédito, nenhum dos meus cartões estavam assinados. Pronto! Inferno na terra. Aqui, não adianta no seu cartão estar o mesmo nome que o impresso no seu passaporte. O que conta é a assinatura atrás da porra do cartão. E todo mundo confere se são iguais.

Para ter esse singelo almoço, tive que provar três vezes que eu era quem realmente sou.

Pequena história para ilustrar

Levei o meu cartão num pub para comprar uma refeição e um pint. Porém, a caneta com a qual eu o assinei estava meio fraca e a assinatura ficou uma porcaria. A assinatura meio borrada deixou a moça do caixa meio confusa.

Para tentar ajudar, mostrei meu outro cartão, onde a assinatura estava bem legível. Detalhe: os nomes nos cartões são os mesmos. Mas, isso não foi suficiente. Desconfiada, levou os cartões para cada funcionário avaliar se dava para aceitar ou não. Ainda não muito certa do correto a fazer, foi até o gerente, que pediu para que eu assinasse de novo o cartão, enquanto observava meu desempenho.

Mas, me fala: se alguém fica olhando para ver se você consegue mesmo fazer sua assinatura é a senha para você fazer um garrancho absurdo! Como piorei a situação, ele me olhou por alguns segundos e deu o veredicto: “Pede a identidade”, num tom meio Vani, dos Normais: “aperta o redial”.

Fui pegar o passaporte, não sem antes soltar um “porra, caralho” (em português, óbvio), porque também não sou tão mansa assim.

A moça do caixa examinou o documento criteriosamente, soltou um “nossa, mas como está diferente!” e eu fiquei pensando que não se pode nem dar uma repaginada no visual que tem gente achando que você é golpista.

Daí, depois de mostrar os cartões com minhas assinaturas, o meu passaporte e assinar os papeis da compra, pude ter minha Guinness e minha refeição.

Então, mensagem do dia para evitar problemas:

– Peça ao seu gerente um cartão com chip, para que você não sofra com o atraso tecnológico.

– Assine todos os seus cartões antes de vir para cá. E capriche na letra!

5 pensamentos sobre “Quando você tem cartões old fashion

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