Dá pra aprender inglês no muque?

Quando dei início a esta viagem, alguns amigos me perguntaram se eu achava fundamental ter domínio do idioma antes de embarcar.

Passado dois meses da minha permanência aqui, creio que encontrei a resposta: para aportar num país diferente, sim, é desejável saber comunicar-se na língua local.

O seguinte motivo me leva a crer nisso: aprender um novo idioma leva tempo. Muito tempo. Quem vem fazer intercâmbio, o faz por um período determinado. Se o estudante deixar para aprender a nova língua apenas aqui, despenderá vários meses fazendo mímicas e desenvolvendo técnicas particulares para se fazer entender, até começar a se comunicar como gente.

Eu, como muitos, não dei a devida atenção às aulas de inglês no ginásio e no colegial. E também não fiz aqueles cursos de inglês que te acompanham por toda a infância. Chegado na faculdade, a única coisa que sabia é que nem o verbo to be eu entendia. E foi na faculdade que vi que essa história de “domínio do idioma” era coisa séria.

Amargurada com minha deficiência intelectual-linguística, e arquitetando a possibilidade de viajar depois da faculdade para algum lugar localizado na Grã-Bretanha, me matriculei num curso intensivo de inglês do Callan Method School, que ensina o inglês britânico.

No começo, achei que eu não ia aprender nada. Todo mundo leva seis anos para tirar diplominha no inglês e o curso prometia fluência em 18 meses. Avessa a milagres e a formulas mágicas que desafiam a lógica de tempo e espaço, me contentei com a possibilidade de adquirir um inglês, no máximo, intermediário.

Como nesse período eu fazia faculdade, trabalhava em dois estágios e ainda queria ser feliz nos bares da vida, o curso de inglês só tinha minha atenção nos 50 minutos diários de aula. Nada de revisar a gramática em casa, nada de tocar no livro nas horas vagas. A única coisa que fiz com decência foi ouvir o maior número de músicas estrangeiras da minha vida. E, depois de umas brejas, tentar falar em inglês com os amigos que tinham paciência de jó para agüentar isso.

Como previa, no final do curso eu não tinha fluência alguma e sempre escorregava na gramática (a saber: ainda derrapo, e feio). Os professores teimavam que a gente sabia falar inglês. Eu dizia, não.

Quando cheguei aqui, a primeira surpresa foi conseguir entender o que as pessoas me diziam. Entendi o moço no aeroporto, o do metrô, do táxi. Achei que tinha alguma coisa estranha… será que basta a gente viajar pra conseguir entender uma nova língua?

Na minha host family, me perguntaram onde eu tinha aprendido a falar inglês tão bem. Opa, opa, opa! Como assim?

Cessando o pedantismo, vou voltar à questão central: dá para aprender inglês no muque, chegando nessa terra e achando que vai aprender a falar?

Dá, claro que dá. Porém, o caminho é mais longo. Quem sabe seja melhor gastar em reais para aprender o básico, o necessário para se fazer entender e para compreender as pessoas.

Acredito que a experiência mais rica que temos aqui é a troca de informações. Seja ir a um monumento e conseguir ler sobre sua história. Seja ouvir sua host mother te contar do seu casamento frustrado, suas idéias sobre o desenvolvimento dos países pobres. Ou sentar com pessoas dos mais diferentes lugares e conseguir entrar num debate, expor idéias, saber das experiências alheias.

Digo isso porque é extremamente frustrante quando você quer falar de um assunto do qual não tem vocabulário. Por exemplo, pecuária. Eu adoro essa temática! Mas, não tenho vocabulário para falar desse assunto – e de muitos outros, diga-se de passagem. E fico imaginando como é a vida dos estudantes que chegam aqui e não conseguem comunicar a mais humilde idéia. 

Se eu pudesse dar uma dica para todo e qualquer intercambista que deseja aprender inglês, seria: faça um curso básico no Brasil e depois se manda pra cá. Vai ser muito mais gostoso chegar aqui habilitado a falar bobagem enquanto degusta um bom pint.

6 pensamentos sobre “Dá pra aprender inglês no muque?

  1. Keila.

    Toadorandoterumaamiganaterradarainha !

    Passei pela mesma coisa.Foi na França.
    Vai sentir, no momento que começar a rir das melhores piadas inglesas, estara’ pronta !

    Bjbj

    Roberto

    Para quem interessar possa:
    Quanto a degustar um bom pint…segue a dica:
    http://www.fancyapint.com/

    • Keila …

      É uma constante isso na minha vida, meus alunos sempre me perguntam se a melhor maneira de aprender é ir morar fora e eu respondo “é, porém, estude antes, seu aproveitamento será infinitamente maior e mais rápido”.

      Deixando o pedantismo de lado, como vc diz, eu aprendi, NO MUQUE o inglês: fui sabendo nada e 1 ano depois voltei par ao Brasil, fluente e virei PROFESSORA (e ai de quem ler isso e pensar que sou aquela professorinha chechelenta, meu inglês é excelente!!rs) mas fato é que pular a parte de ficar fazendo mímicas e desistir de uma conversa por não conseguir se expressar é bem interessante !!!

      E também, como boa professora que sou e como já passei por isso, a gente sempre acha que não tá falando nada mas quando somos jogadas aos leões, do nada, percebemos que sabemos (aconteceu comigo em Paris, com o francês, na terra onde ninguém quer falar inglês).

      Boa sorte aí … fico feliz em saber que existem pessoas sensatas (hihihi) no mundo que chegam à conclusões inteligentes sobre as situações!

  2. Keila adorei seus comentarios, so sharp my dear!
    e seu amigo Roberto está certissimo – a gente sente que começa a dominar um idioma quando consegue entender o senso de humor e até ser engraçada de vez em quando. Amo a lingua inglesa, sempre gostei. “Tirava” letra de musica no rádio, nem entendia direito o que cantava, mas cantava e como!!! Estudei muito, muito mesmo. Até hoje estudo. Nunca entro numa cabine sem me preparar antes. Alias, chega de brincar que agora preciso meter a cara num glossário de siderurgia. Qquer hora vou procurar um vocabulario de pecuária ou agribusiness p´ra voce brilhar nos salões na terra da rainha-:) beijogrande!

  3. eu sou adepta do aprender o básico antes, vc aproveita mto mais sua estadia aqui pq ja da pra começar a fazer coisas mto legais sem ter q se esguelar tentando entender o básico d alíngua…só uma coisa, q essa fot tem a ver com o post? rsrs piscinão?

  4. Riquíssimo post, Keila!
    O ser humano é uma máquina fantástica! Sobrevive graças a essa capacidade de adaptação que temos de chegar num lugar – ainda que “crus” – e conseguir estabelecer uma comunicação, por mais que não seja a mais perfeita do mundo.
    E concordo com você: é melhor reservar um tempinho e alguns merréis para garantir pelo menos o básico de qualquer idioma. Isso evita algumas quedas de cabelo bem desnecessárias, não é?
    E cada dia mais, fico mais orgulhosa desse seu trunfo aí na Terra da Rainha🙂 Parabéns, amiga!
    beijão

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