Nesse dia branco

Hoje é o primeiro dia branco, cinza, sem cor em Norwich.

Começou ontem. Pela manhã, céu azul, me enfiei num vestido rosa com detalhes em renda, porque o dia era um primor. Mas, daí, veio o meio-dia e o tempo era outro. Que vento, que frio!

Vim para casa. Do lado de fora, que chuva! Fui obrigada a fechar a janela. Meias e edredons não eram suficientes, foi com dor no coração que fechei a janela.

Pela primeira vez, vi um dia sem cor. Em São Francisco Xavier, quando chove, é muita água, mas a gente fica feliz, porque as plantas ficam tão verdes, as folhas ficam tão vistosas, que você vê tudo ao redor celebrando aquele mau tempo. E daí você não consegue amaldiçoá-lo. Vê beleza naquela chuva horrorosa.

Mas aqui, que coisa estranha, o céu era de um branco inonimável, não tinha nada, era como se o sol tivesse mudado de lugar, e o dia fosse iluminado pela luz lunar. Que estranho é ter um dia todo cinza.

Fui dormir ansiando uma quinta-feira de sol. Ele não veio de novo. Que coisa… pela janela, uma garoa constante, que ora vinha da direita para a esquerda, ora da esquerda para a direita, mas ininterrupta.

Li revista, li livro, assisti Fred Astaire dançando como se voasse, ouvi todas as músicas na minha playlist no Grooveshark.

“Now I’ve had the time of my life, 
No, I’ve never felt like this before,
Yes, I swear, it’s the truth,
And I owe at all to you…” 

Resolvi que era hora de enfrentar essa garoa.

Fui à biblioteca entregar o filme do Astaire. Empunhando meu guarda-chuva, descobri uma nova forma de garoa: a que se dá em 360º. Entendi depois porque ninguém usa guarda-chuva por aqui, esses ineficientes instrumentos contra uma umidade que vem de todos os lados.

Na previsão do tempo, está anunciado que o sol vem sábado. E eu acredito, sempre acredito.

Pois é claro que o sol vai voltar amanhã, mais uma vez, eu sei.

4 pensamentos sobre “Nesse dia branco

  1. menina quem nos dera uma garoazinha!!! aqui em Sampa a umidade relativa do ar esta na casa dos 12, dormimos com uma toalha molhada pendurada no quarto para poder respirar, se a prefeitura quisesse poderia decretar estado de calamidade publica e suspensao de atividades ao ar livre nas escolas publicas.
    Da semana passa para essa a temperatura foi de algo em torno de 16C para 28C – haja saude.
    Quando chover vou fazer a danca da chuva no estacionamento do supermercado rsrsrs….
    beijos

  2. Ai keila, sabe que até dos dias brancos eu sinto falta?! Achei que era coisa que não ia dá saudade, mas dá sim…
    Obrigada pela fotinha, que me fez lembrar!
    Beijos!

  3. E foi nesse post que eu mais senti a falta do meu amor. De dias cinzas – ou não – mas quando tudo que se quer é estar no aconchego. E imagens e calores de travesseiros compartilhados, filmes e dormidas em frente à TV, fazer comidinhas pra sossegar as breja… enfim, saudade da pele, dos carinhos milímetro a milímetro e do hálito ao lado da cara. Saudade, amor.

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