Vasa, o navio de 382 anos

*Este post faz parte de uma sequencia de posts sobre viagem a Estocolmo.

No ano de 1628, o navio Vasa deixava o porto de Estocolmo em busca de conquistas no Mar Báltico. O rei Gustav II Adolf estava em guerra com o rei da Polônia, que também reclamava o trono sueco, e buscava o domínio do comércio na rota do mar do Norte. O navio Vasa levara dois anos para ser construído e era um luxuoso navio de guerra. Porém, 20 minutos após deixar o porto, a embarcação naufragou.

Cerca de 300 anos depois, em 1961, o navio foi resgatado no Lago Malaren, com 95% de sua estrutura intacta, e passou a ser estudado.

O Vasa Museu

Quando li sobre o Vasa Museu, achei que seria interessante conhecer. Não sabia, no entanto, que museu fantástico me esperava.

Ao chegar na ilha onde ele está localizado, avistam-se o mastro e as velas do navio. São gigantes, estão para fora do telhado.

Passo cartão para entrar, ultrapasso uma, duas, terceira porta. E lá está o navio de 61 metros de cumprimento prostrado no meio daquele museu escuro e frio. Circundo o barco, parece que ele tem cheiro. Que ainda está úmido. Aquele imenso barco medieval construído à mão havia dormido por três séculos no lago e foi trazido da morte. O museu tinha um cheiro de morte.

Arqueologia

O Vasa Museu é impressionante não só por expor um barco gigante. Ele é, antes de tudo, o resultado de um impressionante trabalho arqueológico, de resgate e de restauração que começou há 40 anos.

Os cientistas fizeram estudos sobre cada detalhe do navio: estudaram a matéria-prima da qual ele foi feito, o que cada uma de suas 500 esculturas entalhadas em carvalho representam, além de realizar um minucioso estudo sobre quem eram os marinheiros que viajavam naquele 10 de agosto de 1628.

Reconstrução em miniatura das cores.

Numa das esculturas, um leão, foram encontrados vestígios de pigmento, o único ponto do barco onde algum resquício de cor foi mantido ao longo dos séculos. Por 12 anos, cientistas estudaram amostras retiradas do navio e reconstruíram exatamente as cores com que o Vasa foi pintado. Um trabalho de precisão.

Quando o navio foi resgatado, foram encontrados 14 esqueletos completos de marinheiros que morreram naquele dia e mais de 2 mil ossos humanos que não puderam ser identificados. A partir de estudos sobre os ossos dos marinheiros, cientistas puderam descobrir como era a vida na Suécia no século XVII, como era a vida cotidiana dos que entravam para a Marinha e em que condições essas pessoas viviam.

Mas como o Vasa sobreviveu?

Pois como pode o Vasa jazer no fundo de um lago por 300 anos e voltar à superfície praticamente intacto?

Naquele ponto do naufrágio, onde o Lago Malaren encontra o Mar Báltico, a salinidade é extremamente baixa, assim como o nível de oxigenação. Tais condições impedem a existência do “shipworm”, molusco responsável pela degradação de madeira.

E por que o Vasa afundou?

Porque era pesado demais, estreito demais e tinha um pequeno erro na sua base. O Vasa era um navio militar, construído para ser veloz. Quando deixou o porto, carregava duas linhas de canhões, uma de cada lado da embarcação, com as portas de armas abertas para saudar a corte que celebrava sua partida ao encontro do rei. Numa rajada de vento, o Vasa, que pelo seu estreitamente era extremamente instável, curvou para a lateral. A água entrou pelas portas de armas, o navio não conseguiu se reequilibrar e naufragou.

Cuidados com o Vasa

Quando foi resgatado, o Vasa secou por nove anos. Os cientistas estavam frente a um dilema: o que é conservar, nas condições atmosféricas atuais, um navio preservado por tanto tempo no fundo de um lago?

O museu tem controle de temperatura, umidade e de luz. O museu fica numa penumbra gelada. Eles alegam que o motivo é técnico. Mas a luz fraca que cobre o Vasa é um dos elementos que levam os visitantes a divagar sobre tudo o que pode ter acontecido naqueles 20 minutos entre a partida e o naufrágio.

Para conhecer mais sobre a história do navio, o site do museu traz informações detalhadas: Vasamuseet.

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