Mont-Saint-Michel

Numa ilhota localizada na divisa da Normandia com a Bretânia, na França, uma abadia começou a ser construída no dia 16 de outubro de 709.

Assim começou a história do Mont-Saint-Michel, a abadia que os homens da Idade Média viam como uma representação da Jerusalém celeste sobre a Terra.

Ao longo de sua história, o local ficou conhecido como “Monte do perigo do mar”, quando muitos peregrinos se afogavam com a maré, que subia repentinamente, ou eram sugados pela areia movediça, quando tentavam cruzar a baía para alcançar o topo do rochedo de 80 metros de altura. Era lá que estava assentada a abadia do Mont-Saint-Michel.

A baía.Baía

No ano de 909, a comunidade dos Beneditinos se fixou no Mont e foi ao redor dela que uma pequena vila medieval se formou. Hoje, as casas e construções da antiga vila continuam preservadas com surpreendente rigor, embora atualmente sejam usadas para fins estritamente comerciais.

A despeito da centena de cafés e lojas de cartões postais, caminhar pela Grand Rue, principal via que liga os portões do vilarejo ao topo da abadia, é uma volta ao tempo.

As escadarias, as torres, a baía que é rapidamente tomada pela maré continuam do mesmo modo como há mais de mil anos estavam. Eu gosto de estar onde as coisas costumavam estar séculos atrás. É uma prova de que algo sempre permanece.

Acesso à vila fortificada

Vila

 

Entrada

A visita

O Mont possui vários museus. Meu guia de bolso, porém, com o ácido humor britânico, fez-nos desistir de conhecer qualquer um deles.

Fomos direto para a abadia comprar nossos ingressos. A cada meia hora, há visita guiada – gratuita – para aqueles que adquirem os bilhetes. Sempre que puderem, chequem nos sites dos monumentos o horário das visitas guiadas. Elas sempre tornam o passeio muito mais rico.

Começamos a visita pela igreja, que é bem singular: a nave é construída em estilo romanesco, mas o altar, em gótico. Coisas de abadias milenares que pegam fogo ao longo dos séculos e precisam ser reconstruídas.

Do romanesco ao gótico

Para suportar o peso da igreja, criptas subterrâneas foram construídas abaixo, e o granito utilizado precisou ser esculpido para casar exatamente com os contornos da montanha. Aliás, sobre o granito: vocês se lembram das pedras singulares da Catedral de Norwich, trazidas da Normandia? São do mesmo tipo que as utilizadas na construção dessa igreja! O mundo já era pequeno pra caramba na Idade Média.

Da nave, mergulhamos nos subterrâneos da abadia, visitando as criptas onde os monges viviam, os imponentes salões onde recepcionavam os reis, os pequenos cômodos, destinados aos camponeses e soldados que peregrinavam até o local, e as perturbadoras prisões.

Ao lado da igreja, o claustro. Lindo.

Debaixo do claustro, a sala dos Cavaleiros, construída para sustentá-lo.

Debaixo do refeitório, a Sala dos Hóspedes, onde reis e nobres convidados eram recebidos.


A sala é formada por vitrais “invisiveis”. Observando deste ponto de visão, eles não são vistos. Eles podem apenas ser apreciados quando se caminha pelo salão. Representam, assim, a eterna caminhada ao divino.

Galeria Coberta: uma sala comprida de nave dupla. Seus arquitetos imaginaram montar as suas abóbadas sobre um cruzamento de ogivas. Esta inovação anunciava o nascimento da arte gótica no início do século XII.

Abaixo, a cripta dos grandes pilares, construída para sustentar o coro gótico (lá em cima!) da igreja.

Essa janelinha mostra que estamos abaixo do altar da igreja.

Mont Saint Michel após o fim da Idade Média

Na Revolução Francesa, o Mont foi transformado numa prisão política.

Esta portinhola não dá acesso a nenhum armário para guardar coisas minúsculas, como chaves ou mantimentos.

Ela dá acesso a uma antiga e perturbadora prisão.

Nem Cristo no colo de Maria escapou da decapitação.

Nos dias de hoje

Em 1966, exatos 1000 anos depois do Duque Ricardo, o Primeiro ter originalmente trazido a comunidade de Beneditinos para o monastério, a Ordem foi convidada novamente a retornar ao local. Porém, eles partiram em 2001, alegando que o local não é exatamente um lugar apropriado para a contemplação.

Pudera: o Mont é considerado uma “meca do turismo”, um dos lugares mais visitados de toda a França, recebendo mais de 3 milhões de turistas a cada ano.

Hoje, doze monges da comunidade Fraternidade Monástica de Jerusalém residem no mosteiro.

Nossa base

Ficar na vila do Mont é um sonho muito caro de se realizar. E não recomendado, devido ao intenso movimento, que impede momentos de descanso e paz.

Nos arredores, há centenas de hotéis – e quanto mais distantes do Mont, mais baratos. O nosso era um hotel muito fofo no meio do nada. Como estávamos de carro, os míseros 20km que nos separavam Mont não significavam transtorno algum.

Lanche!

Fonte:

Site do monumento: http://www.ot-montsaintmichel.com/
The Rough Guide to France
Folders adquiridos na abadia.

3 pensamentos sobre “Mont-Saint-Michel

  1. Tá bem…deixa Reims prá lá.
    Lugar magnífico, tenho muitas fotos da abadia, mas nenhuma minha.
    Ainda vou subir a torrezinha de 80 metros (que nem o Aurão…sem medo, always looking on the bright side of life).

  2. Keila,

    Primeiro de tudo: vc estava visitando a França com um guia de bolso inglês??? hahaha… imagino o humor ácido ao qual vc se referiu, hehe…

    Muito lindo esse Mont-Saint-Michel… andar por lugares que ainda lembram a Idade Média é sempre muito interessante… só achei aterrorizador pensar nas pobres pessoas que foram sugadas pela areia movediça e que nem Cristo escapou da decapitação (na verdade, achei essa última parte engraçada, haha)

    Bijos!!!

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