Eu, minha acomodação e um paraíso chamado IKEA

Eu moro em uma acomodação estudantil da minha universidade e isso tem prós e contras: algo positivo é que, se você conseguir um lugar na moradia, não precisa chegar aqui e enlouquecer no mercado de apostas que virou o mercado imobiliário londrino. Um aspecto negativo, contudo, é que você chega na acomodação e precisa comprar tudo: de travesseiro a louça.

A tarefa pode ser hercúlea para pessoas como eu, que tenho muitas dificuldades em fazer escolhas e em combinar coisas, mas, neste caso, foi facilitada por um fator que eu desconhecia até chegar aqui: o fator IKEA.

Que paraíso é esse lugar!

Quem me recomendou foi uma italiana, que encontrei no corredor da acomodação. Tínhamos nos falado por Facebook e, quando nos encontramos pessoalmente, surpresa! “Oi, eu sou A Keila!” e “Oi, eu sou a fulana! Que você vai fazer?”, “Preciso comprar itens básicos de sobrevivência”, “Eu também! Vamos na Ikea?!”.

Assim, de bate e pronto, saímos em busca do ponto de ônibus, já muito falantes, em direção ao lugar onde todos os orçamentos são bem vindos. Copo de suco a 35p, taça de vinho a 1 libra, caneca a 50p, pratos a 90p. Realmente uma festa.

O interessante é que, numa expedição assim, você descobre o quanto os seus pais precisaram ralar para comprar a louça de casa. Sobretudo, percebe que tupperware não nasce por geração espontânea e que, se você esqueceu de comprar um kit de potinhos plásticos, não vai ter um kit de potinhos plásticos te esperando dentro do armário. Ah, a dura vida de viver por si e para si!

Você também aprende a diferença, a sutil diferença, entre 5 libras e 20 libras e se dá conta que demorar 50 minutos para encontrar o produto ofertado tem importância.

Apesar da muquiranice, fiz um esbanjamento: comprei uma chaleira! 😀 Ela é linda e, quando a água está pronta, ela apita! Uma sensação.

O objeto gerou curiosidade em casa. Uma inglesa que mora na acomodação, de Liverpool, muito British indeed, teceu elogios a minha aquisição. Aproveitei a deixa para aprender a fazer o chá. Aliás, há segredos – é preciso, por exemplo, mexer o chá em determinado momento, apertar o sachê, deixar a infusão durar por dois minutos. Só depois é que pode adicionar o leite. Agora, tomada de conhecimento técnico, tenho feitos muitas canecas de chá.

Apesar da enorme sacola e de todos os itens baratos e incríveis que comprei na Ikea, a visita não bastou para eu encontrar todos os itens – não porque eles não existiam lá, mas porque eu não tinha um entendimento completo sobre o que eu precisaria de fato. Assim, passei a semana descobrindo os itens que não existiam no meu armário – infalivelmente, na hora que tinha a intenção de usá-los.

A primeira semana passou, portanto, baseada na solução de pepinos, o que incluiu também idas diversas ao supermercado, um aprendizado muito novo para mim, apesar de eu frequentar supermercados há anos. Há certas coisas com as quais temos muitas dificuldades.

Visualizo, contudo, muitos aprendizados aqui, dos mais complexos aos mais simples – como, por exemplo, ir às compras com uma lista que faça sentido.

Quatro anos depois, de volta ao Tô na Terra da Rainha!

Esse blog nasceu em 2010 quando eu estava em um intercâmbio na cidade de Norwich, no leste da Inglaterra.

Na época, eu falava da experiência com a minha host family, das visitas aos pubs e às igrejas da pequena cidade e da experiência de estudar fora pela primeira vez.

Quatro anos depois, o blog retorna à ativa. Voltei para a Inglaterra em setembro de 2014 para um mestrado na área de jornalismo de dados na City University London.

Daqui para a frente, postarei sobre minha experiência acadêmica em outro país, darei dicas sobre o que eu descobrir de bom na capital inglesa e compartilharei informações que, espero, sejam úteis para outros estudantes que queiram cursar um mestrado fora do país – ou para qualquer outra pessoa que queira saber mais sobre Londres.

Fique à vontade para ler, embarcar e comentar.

Eu tenho medo do Mesmo

Foi durante a faculdade, numa das maravilhosas aulas da professora Miriam Puzzo, que conheci um erro muito comum da língua portuguesa: o uso incorreto do adjetivo/pronome mesmo.

A professora Miriam,  nossa Pasquale Cipro Neto muito mais avançada nos conhecimentos da língua, explicou de modo sucinto que as palavras mesmo/mesma nunca, em hipótese alguma, podem ser usadas como equivalentes a um substantivo.

E tal qual o Bob, do desenho animado dos anos ’90 O Fantástico Mundo de Bob, demorei um tanto para entender aquela frase quase enigmática:

Mesmo só pode ser usado como adjetivo, não como substantivo”.

Foi quando entrei no elevador do meu antigo prédio e, ao ler o aviso aos usuários, compreendi o significado daquele enigma:

“Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar”.

Caramba, quem é o mesmo? Que cara tem o mesmo?! Será que o mesmo morde? Que será que acontece se eu abrir o elevador e o mesmo aparecer aqui?

Apavorante.

Tão medonho que surgiu uma comunidade no orkut e um grupo no Facebook, “Eu tenho medo do mesmo”,  título que dá nome a este post.

Essa revelação durante a faculdade mudou a minha vida.

Quantas vezes, indiscriminadamente, não criamos monstros e entidades paralelas nos nossos textos ao colocar na roda dos substantivos este tão útil adjetivo? Quantas vezes não subvertemos o seu significado, quantas vezes não amedrontamos seres frágeis diante de um elevador com avisos gramaticalmente apavorantes?

Esses dias, recebo o email de um site de compras.

“Para que você possa postar o produto é necessário que o mesmo esteja bem embalado em uma caixa, envolto com papel pardo ou papel branco…”

Pensei: mas, moça, não veio nenhum mesmo com o produto…

A essa altura do post, você, que a vida inteira passou ouvindo e/ou escrevendo mesmo quando queria evitar a repetição do substantivo, achando que aquele significaria esse, pode estar bem cético. Poderia o mundo inteiro estar errado e só a professora Miriam Puzzo, certa? Seria possível que o mesmo não exista?

Ele existe. Assim:

“Esse é o mesmo elevador de ontem.”

“Coloque o produto na mesma caixa na qual foi enviado.”

“Essa dúvida é a mesma de todo mundo.”

E é classificado como substantivo pelo Houaiss assim:

“Procurou porque lhe disseram que ainda era o mesmo.”

“Viajar ou não era o mesmo para ele.”

“Isso é o mesmo que lhe dizer não.”

Espero que esse post ajude a colocar o mesmo no seu devido lugar. 😉

Como alugar carro na Europa

Na viagem que Auro e eu fizemos, de 20 dias por França, Bélgica e Alemanha, alugar um carro foi o melhor dos mundos.

Nosso roteiro incluía viajar por uma região bem peculiar, a Alsácia, onde transporte próprio significava qualidade, e firmamos o pé que alugar um carro seria uma opção acertada. E foi!

Este post será, pois, para contar como foi nossa experiência com aluguel de carros na Europa, e espero que ajude futuros viajantes.

Vou começar enumerando algumas informações importantes:

1. Não é porque você vai ficar 20 dias na Europa que alugar carro é uma boa. Pense no seu roteiro, leia bastante sobre os seus destinos e veja se sua ideia é plausível. Não é plausível, por exemplo, cobrir vários países numa mesma viagem.

2. Se for passar apenas por cidades grandes, é preferível o transporte público. Trens de alta-velocidade cortam toda a Europa, são muito práticos e com bons preços se comprados com antecedência. Os metrôs das capitais são altamente eficientes, enquanto o trânsito é caótico. Em Paris, nosso carro ficou na garagem por quatro dias.

3. Alugar um carro para ficar cortando nove, dez países não é legal. Gasolina no continente europeu é cara.

Se mesmo assim você quer alugar um carro, algumas dicas:

– Alugar um automóvel para descer da Inglaterra para o resto da Europa inclui dirigir do lado contrário e atravessar o Canal da Mancha pelo Eurotúnel, uma vez que a Grã-Bretanha é uma ilha o que a faz ser cercada de água por todos os lados.

– Aluguel de carros na França são quase o dobro do preço. É preferível optar por um destino alternativo. Mas, lembre-se: será necessário voltar com o carro para o seu destino de origem. Alugamos o nosso na Alemanha, mas fazia parte do itinerário voltar para lá.

Opte sem titubear por GPS, mas não esqueça de ficar de olho nas placas! Abaixo, foto do nosso GPS mostrando-nos a Rota do Vinho.

– Ao incluir GPS, certifique-se de que o aparelho contém todos os mapas dos lugares para onde você está indo. Em nossa viagem, esquecemos-nos deste pequeno detalhe. Isso incluiu viajar a esmo por cerca de 200km porque nosso carro só tinha os mapas da Alemanha, Polônia e República Checa. E nosso destino era o lado oposto da Europa. 😦

– Portanto, mesmo ao optar pelo indispensável GPS, tenha um Atlas Rodoviário na mala de mão. Eles nos teriam salvo de três problemas inenarráveis com o navegador. 😉

– Reservar com antecedência significa pagar (bem) mais barato. Não enrole! Na Europa, essa regra vale de verdade.

– Viajar de carro tem benefícios maravilhosos, como avistar paisagens deslumbrantes em caminhos alternativos, com a possibilidade de fazer uma parada para fotos.

– Ao escolher uma companhia de aluguel de carros, escolha empresas conhecidas. Veja algumas delas: .

Sixt
Avis

Europcar

Eurocheapo

Budget

Descontos

Operadoras de cartões de crédito e alguns pacotes bancários oferecem, gratuitamente, opções interessantes para quem viaja. A Mastercard, por exemplo, tem parceria com a Budget. Promete descontos de até 25% para seus clientes. Cheque as condições do seu contrato e veja a cobertura do benefício.

Cartões Platinum do programa Van Gogh do Santander oferecem, gratuitamente, cobertura de seguro para aluguéis de carro. Regra é a mesma: verifique condições do contrato.

Onde retirar os carros

As empresas têm um setor só para elas nos aeroportos. Munidos do seu passporte, da sua carteira de habilitação internacional (vamos falar dela mais abaixo) e do cartão com o qual você fez a reserva, dirija-se para o guichê da operadora fazer o check-in do seu veículo. Você pode ter uma sorte do cão (como a gente) e pegar um Mercedez ao invés do Fiesta que você alugou inicialmente. 😀

Carteira de Habilitação Internacional

Alguns países permitem que o turista viaje com a carteira de habilitação do país de origem anexada ao passaporte. Mas ela precisa vir com tradução juramentada – que é um saco. Se você passar por França e Alemanha, por exemplo, já ferrou: duas traduções, em duas línguas?

Achamos mais barato retirar a Carteira de Habilitação Internacional, que é retirada no Detran. A do Auro foi rápida e indolor. Custou R$ 191,62 e a nova carteira chegou pelos Correios. O triste é que ela não vale no Brasil. Só no resto do mundo todo.

Mesmo assim, recomendamos!

Para saber mais, leia essas dicas:

Europa: avião, trem ou carro?
Carro na Europa – dicas do André Lot.

E que fique claro: poder alugar um carro é uma delícia. 🙂

Como escolher hotéis pela internet

São centenas de sites, milhões de resultados no Google. Nessa pilha cibernética de possibilidades, como escolher uma opção confiável de hotel do qual não há recomendação alguma?

Porque, vamos combinar: a não ser que seja um hotel bacanudo de preço equivalente, o hotel que um viajante modesto procura não ganha resenha em cadernos de turismo.

Mas há hotéis possíveis e interessantes no mesmo perímetro dos superstars. No entanto, é preciso saber procurá-los e avaliá-los. Só assim evitam-se surpresas desagradáveis.

Na internet, testei vários sites e cheguei ao booking.com. Este site é muito legal, porque disponibiliza informações essenciais numa única página de informação, tais como:

– localização do hotel (com código postal), o que permite dar um googlemaps e ver se o hotel realmente fica próximo aos pontos turísticos dos quais afirma estar;
– descrição do hotel,  fotos e facilidades (se há estacionamento, por ex. e taxas);
– descrição e fotos dos quartos (você vê o que compra – não reserva quarto simples pela foto da suíte master);
– críticas/resenhas de outros hóspedes;

Abaixo, página inicial com as seguintes informações: hotéis disponíveis, preços, nota atribuída pelos usuários, descontos e número de quartos disponíveis.

Atenção: essa info é verdadeira – uma vez, fiquei lutando com um sueco por um quarto. Demorei para pegar o cartão de crédito e ele efetuou a reserva primeiro. Tive que recomeçar a busca. 😦

(Clique nas fotos para ampliá-las)

Descrição do quarto com fotos.

Com estas informações em mãos, só é preciso avaliá-las. No quesito localização, como diz Ricardo Freire, do imprescindível Viaje na Viagem, não há mágica – quanto mais barato um hotel, mais modesto e menos bem localizado ele será.

Portanto, nada de ilusões ou de se achar o grande sortudo. Para não sentir-se ludibriado mais tarde, antes de procurar hoteis, dê uma olhada caprichada para o destino onde se está indo.

Ficar num hotel na periferia de Paris ou a mais de 15 minutos do metrô é fria. A regra básica é: pesquise, pesquise, pesquise.

Resenhas

O que o booking tem de mais útil para mim são as resenhas/opiniões/ críticas dos que já passaram pelos hotéis. Essa espécie de fórum indenpendente é peça-chave na escolha da acomodação.

Veja exemplo abaixo:

Em setembro, estava muito feliz com um hotel que tinha encontrado em Paris, pela localização e preço mas, nas resenhas, diversos hóspedes se queixavam da presença de percevejos nas camas.

Nas reviews, há reclamações de todo o tipo: hotéis de 16 andares sem elevador nem ajudante para auxiliar com as malas (imagina você subindo escada acima com bagagem de 30 kg), chuveiros que não funcionam, umidade, mofo nas paredes, roupa de cama suja e outras cosita más. Eleja suas prioridades na hora da leitura e permita-se ser ajudado por outros viajantes!

Dica: quando não é possível encontrar resenhas no próprio booking, jogue o nome do hotel no site TripAdvisor, site mundialmente conhecido por suas numerosas resenhas.

Outras páginas na web

Há vários outros sites que reúnem hoteis ao redor do mundo.

Para albergues, consulte:

www.hostelworld.com
www.hostelbookers.com
www.hostelseurope.com

Para hoteis baratos, consulte:

www.cheaphotels.co.uk
www.lastminute.com
www.hotelformule1.com
www.hoteis.com

Para hoteis chiques, não me pergunte que eu não sei. 😉

Mont-Saint-Michel

Numa ilhota localizada na divisa da Normandia com a Bretânia, na França, uma abadia começou a ser construída no dia 16 de outubro de 709.

Assim começou a história do Mont-Saint-Michel, a abadia que os homens da Idade Média viam como uma representação da Jerusalém celeste sobre a Terra.

Ao longo de sua história, o local ficou conhecido como “Monte do perigo do mar”, quando muitos peregrinos se afogavam com a maré, que subia repentinamente, ou eram sugados pela areia movediça, quando tentavam cruzar a baía para alcançar o topo do rochedo de 80 metros de altura. Era lá que estava assentada a abadia do Mont-Saint-Michel.

A baía.Baía

No ano de 909, a comunidade dos Beneditinos se fixou no Mont e foi ao redor dela que uma pequena vila medieval se formou. Hoje, as casas e construções da antiga vila continuam preservadas com surpreendente rigor, embora atualmente sejam usadas para fins estritamente comerciais.

A despeito da centena de cafés e lojas de cartões postais, caminhar pela Grand Rue, principal via que liga os portões do vilarejo ao topo da abadia, é uma volta ao tempo.

As escadarias, as torres, a baía que é rapidamente tomada pela maré continuam do mesmo modo como há mais de mil anos estavam. Eu gosto de estar onde as coisas costumavam estar séculos atrás. É uma prova de que algo sempre permanece.

Acesso à vila fortificada

Vila

 

Entrada

A visita

O Mont possui vários museus. Meu guia de bolso, porém, com o ácido humor britânico, fez-nos desistir de conhecer qualquer um deles.

Fomos direto para a abadia comprar nossos ingressos. A cada meia hora, há visita guiada – gratuita – para aqueles que adquirem os bilhetes. Sempre que puderem, chequem nos sites dos monumentos o horário das visitas guiadas. Elas sempre tornam o passeio muito mais rico.

Começamos a visita pela igreja, que é bem singular: a nave é construída em estilo romanesco, mas o altar, em gótico. Coisas de abadias milenares que pegam fogo ao longo dos séculos e precisam ser reconstruídas.

Do romanesco ao gótico

Para suportar o peso da igreja, criptas subterrâneas foram construídas abaixo, e o granito utilizado precisou ser esculpido para casar exatamente com os contornos da montanha. Aliás, sobre o granito: vocês se lembram das pedras singulares da Catedral de Norwich, trazidas da Normandia? São do mesmo tipo que as utilizadas na construção dessa igreja! O mundo já era pequeno pra caramba na Idade Média.

Da nave, mergulhamos nos subterrâneos da abadia, visitando as criptas onde os monges viviam, os imponentes salões onde recepcionavam os reis, os pequenos cômodos, destinados aos camponeses e soldados que peregrinavam até o local, e as perturbadoras prisões.

Ao lado da igreja, o claustro. Lindo.

Debaixo do claustro, a sala dos Cavaleiros, construída para sustentá-lo.

Debaixo do refeitório, a Sala dos Hóspedes, onde reis e nobres convidados eram recebidos.


A sala é formada por vitrais “invisiveis”. Observando deste ponto de visão, eles não são vistos. Eles podem apenas ser apreciados quando se caminha pelo salão. Representam, assim, a eterna caminhada ao divino.

Galeria Coberta: uma sala comprida de nave dupla. Seus arquitetos imaginaram montar as suas abóbadas sobre um cruzamento de ogivas. Esta inovação anunciava o nascimento da arte gótica no início do século XII.

Abaixo, a cripta dos grandes pilares, construída para sustentar o coro gótico (lá em cima!) da igreja.

Essa janelinha mostra que estamos abaixo do altar da igreja.

Mont Saint Michel após o fim da Idade Média

Na Revolução Francesa, o Mont foi transformado numa prisão política.

Esta portinhola não dá acesso a nenhum armário para guardar coisas minúsculas, como chaves ou mantimentos.

Ela dá acesso a uma antiga e perturbadora prisão.

Nem Cristo no colo de Maria escapou da decapitação.

Nos dias de hoje

Em 1966, exatos 1000 anos depois do Duque Ricardo, o Primeiro ter originalmente trazido a comunidade de Beneditinos para o monastério, a Ordem foi convidada novamente a retornar ao local. Porém, eles partiram em 2001, alegando que o local não é exatamente um lugar apropriado para a contemplação.

Pudera: o Mont é considerado uma “meca do turismo”, um dos lugares mais visitados de toda a França, recebendo mais de 3 milhões de turistas a cada ano.

Hoje, doze monges da comunidade Fraternidade Monástica de Jerusalém residem no mosteiro.

Nossa base

Ficar na vila do Mont é um sonho muito caro de se realizar. E não recomendado, devido ao intenso movimento, que impede momentos de descanso e paz.

Nos arredores, há centenas de hotéis – e quanto mais distantes do Mont, mais baratos. O nosso era um hotel muito fofo no meio do nada. Como estávamos de carro, os míseros 20km que nos separavam Mont não significavam transtorno algum.

Lanche!

Fonte:

Site do monumento: http://www.ot-montsaintmichel.com/
The Rough Guide to France
Folders adquiridos na abadia.

Indo pra Paris

Depois de conhecer a praça mais bonita do mundo, continuamos a viagem com destino a Paris.

Passamos pela região da Champagne, mundialmente conhecida por seus espumantes, bruts, todos, claro, champagnes. Aliás, é lá que a lendária Moët-Chandon é produzida desde 1743, quando ainda não exitia o irmão Chandon.

A paisagem, mesmo nas rodovias, era quase a mesma: vilas, vinhedos, fazendas. Auro e eu nos perguntávamos: “Mas não mora ninguém na França?” Isso sim é um país bucólico.

Ainda na Champagne, até avistamos a catedral de Reims. Não paramos. Muitas catedrais ainda nos esperavam no caminho.

Já era quase noite quando chegamos na capital francesa. O trânsito caótico, o GPS que não acertava o caminho, a gente que não entendia o GPS, a chuva, as rotatórias gigantes com quase uma dezena de ruas possíveis e a chuva pesada sobre nós: era assim Paris.

A trilha sonora? Olha que coincidência: É proibido proibir.

Trilha sonora

Juntos vamos esquecer,
Tudo que doeu em nós
Nada vale tanto pra rever
O tempo que ficamos sós
Faz a tua luz brilhar
Pra iluminar a nossa paz

O meu coração me diz
Fundamental é ser feliz

Juntos vamos acordar o amor
Carícias, canções, deixa entrar o sol da manhã
A cor do som, eu com você sou muito mais

O princípio do prazer
Sonho que o tempo não desfaz

O meu coração me diz
Fundamental é ser feliz

O princípio do prazer, por Geraldo Azevedo e Elba Ramalho, num video artesanal muito simpático.

Ela é a mais bonita

Acabou a viagem à Alsácia e fizemos as malas rumo a Paris.

No caminho, uma parada na capital da Lorraine, Nancy, onde conhecemos a praça mais bonita do mundo.

Portão de aço com detalhes em ouro de verdade! E ninguém tira lasquinha…

A praça Stanislas, datada do século XVIII, é considerada a praça real mais bonita de toda a Europa e um magnífico exemplo da arquitetura clássica francesa. Ela foi concebida por Stanislas Leszczynski, Duque da Lorraine, para honrar seu filho adotivo, Luiz XV, e unir as partes antiga e nova da cidade de Nancy.

Hoje a praça abriga exposições e instalações artísticas, utilizando elementos de jardinagem.

Jardim para a Melian: instalação em homenagem à cerâmica, elemento básico para a arqueologia.

Símbolo da paz.

hihi.

Estátua em homenagem a Stanislas.

Ela é um dos 20 lugares da França que figuram na lista da UNESCO como patrimônio mundial da humanidade, além de ser lugar ideal para experimentar uma autêntica quiche lorraine

Auro fez o garçon ter espasmos de indignação ao pedir uma lazanha, em plena França. Chatos.

E um brinde, para seguir viagem.

Estrasburgo, capital da Europa

Estrasburgo é a maior cidade da Alsácia e a capital da Europa. Sua história, assim como a de toda Alsácia-Lorraine, é marcada pelas disputas entre franceses e alemães pelo domínio de seu território, considerado estratégico.
 

Após a Segunda Guerra, para encerrar quaisquer animosidades entre as duas nacionalidades acerca da região, a cidade foi transformada em capital da comunidade europeia: hoje, é sede de várias instituições do bloco, como a do Parlamento Europeu e da Corte Europeia dos Direitos Humanos.

Sua herança histórica é rica e a cidade se intitula como uma das mais vibrantes do bloco. Seu centro histórico é listado pela UNESCO como patrimônio mundial da humanidade.

Para conhecer toda a Estrasburgo, compramos o nosso Strasbourg Pass, um passe que dá direito a entradas gratuitas em determinadas atrações culturais.

Começamos o passeio com um tour pelo rio que corta a cidade. Sob pontes, entre eclusas e cercados por casarões medievais, conhecemos um pouco sobre a Petite France (Pequena França), nome pelo qual a cidade era conhecida na Idade Média.

Tour pelo rio

Na Catedral de Notre-Dame, apontada como uma obra-prima da arte gótica, a coleção de vitrais que deslumbrou Victor Hugo. O monumento, até o século XIX, era o mais alto de todo o mundo cristão.

Nosso passe nos dava entrada free para a plataforma, de onde se tem uma vista panorâmica da cidade, e para a apresentação do relógio astronômico. Perdemos ambas, o que gerou uma abundância de bicos e resmungos.

Catedral de Notre-Dame

Vitrais.

Relógio astronômico.

A cidade mantém preservada a parte medieval, conhecida como Petite France, com casas em estilo alsaciano e ruas medievais. É uma das suas atrações imperdíveis.

O prédio mais fotografado de Estrasburgo: maison do séc. XVI.

Duas antigas residências, datadas do século XIX, abrigam o Museu Alsaciano, que oferece um fantástico retrato sobre essa região rural da França.

Ele reproduz costumes religiosos, estilo de vida, culinária, vida social e familiar, além da reprodução cenográfica de como era uma casa alsaciana no século XIX, com cozinhas, quartos, sala de ferramentas, varandas, pátio, além das caves para armazenamento do vinho. Além de ter informações relevantes sobre a região, o museu é muito mimoso.

Cozinha.

Sala do alquimista.

Na Alsácia antiga, as noivas casavam de preto.

Lendo tudo para contar pra vocês.

Reprodução do pátio.

Armazenamento do vinho.

Depois de trotar um dia todo por essa cidade, Auro e eu, super cansados, só pensávamos em voltar para Guiberschwihr jantar nossos deliciosos petiscos de supermercado. 🙂