De São Paulo a Norwich

Este post é um pouco longo. Mas, a viagem foi composta de várias etapas, as quais são narradas abaixo. Desde o embarque em São Paulo até a chegada em minha hospedagem, levei quase 24 horas e tomei meu primeiro “couro” no inglês.

Primeiro, sobre a viagem:

Meu vôo saiu de Guarulhos às 23h40 da última sexta-feira (23), sem atrasos. Voei TAM e me surpreendi positivamente: em cada poltrona tínhamos um painel de controle próprio, onde podíamos selecionar de filmes a envio de e-mail e SMS. Mesmo a classe econômica sendo algo sem muita variação, este vôo foi bem satisfatório.

Minha poltrona era a 28K (de Keila!), num conjunto de três – K, L e M. Sortuda que sou, o passageiro que sentaria ao meu lado, na poltrona L, faltou. Ou seja: dei uma esticadinha de corpo na poltrona vazia e dormi por várias horas. Na poltrona M, um senhorzinho tinha uma dificuldade enorme de entender a lógica daquele painel. Dei uns pitacos a ele porque sou solidária, mostrando como funcionava o menu e onde deveria ser encaixado o fone de ouvido.

Em vários momentos, tivemos turbulência, o que me fez pensar muito sobre a morte. Quando chegamos a Londres, me senti feliz por continuar viva e não causar pesar naqueles que amo com um falecimento repentino.

No aeroporto

Chegando no aeroporto de Heathrow, em Londres, às 15h, hora local, era hora de passar pela imigração e por aquele procedimento padrão: mostrar passaporte, polícia checar suas informações e fazer um pequeno interrogatório. Era uma fila grande. Fomos divididos, naturalmente, entre pobres e ricos: membros da Comunidade Europeia de um lado. O resto, do outro. Uma espanhola, grossa que só ela, foi bem estúpida comigo, mas, vou poupar os leitores deste detalhe sórdido. Só adianto que ela foi chamada pelo agente mais ríspido para apresentar seu passaporte. Sinto-me vingada.

Ao olhar a atuação dos agentes, fui emanando vibrações positivas para ser chamada por uma das mulheres, que pareciam ser bem amáveis. Vi uma garota ser entrevistada durante minutos a fio por um agente bonachão, que ficava sempre com um riso esgueirado na boca. Não fosse um local sério, posso jurar que ele estava constrangendo a moça propositalmente. Dois indianos foram postos num banquinho – descobri mais tarde que suas bagagens precisariam ser revistadas.

Bem, chegou a minha vez e, surpresa, fui enviada ao agente bonachão. Ela tinha cerca de 30 anos, rabo de cavalo e parecia estar brincando, o que me deixava mais nervosa. Corrigia meu inglês, falava “não é assim que se fala”, e tal. Pediu para ver a minha carta da escola, me fez algumas perguntas como: “quanto tempo você vai ficar aqui?”; “por que quer estudar inglês?”; “você tem dinheiro para se manter aqui?”; “é permitido a você trabalhar? Quantas horas?”. Depois de eu responder a essas questões, ele deu um suspiro profundo e carimbou meu passaporte. Eu havia, portanto, passado pelo temido aeroporto de Heathrow! Esse processo levou cerca de uma hora e meia. 

Dica: estudantes do Brasil que tirarem visto levem todos os documentos apresentados para o Consulado. Na imigração, eles podem checar tudo de novo.

Liberada que fui, passei por um setor, onde vi as malas da indiana, do banquinho, serem revistadas.

Do aeroporto a Norwich – um longo caminho

A viagem de Londres a Norwich foi um pouco longa – e cara, infelizmente. Precisei pegar dois metrôs e um trem para chegar à cidade de destino.

Eu nunca havia andado de metrô antes e nunca havia pedido e recebido informações em inglês. Mas, foi uma experiência muito legal! Ao final, me senti alguém capaz e independente. Neste meio tempo, curei definitivamente meu medo de escada rolante, já que tive que descer três lances, com três malas, para ter acesso ao terminal do metrô dentro do aeroporto.

No caminho da escada ao terminal de metrô, não encontrei nenhum depósito de lixo. Creio que seja uma medida de segurança, para que estes locais não sejam usados como esconderijo para bombas.

Peguei o Heathrow Express até a estação Paddington. Lá, acessibilidade zero, contei com a ajuda de ingleses simpatissíssimos, que me ajudaram com as malas para descer e subir escadas – não há rampas! No Terminal 16, peguei outro metrô para a Liverpool Street Station, de onde partem trens a cada meia hora para o leste inglês. A viagem a Norwich durou cerca de 2 horas.

No caminho, uma paisagem bonita, com árvores ainda secas, retrato de uma primavera que não chegou totalmente. Com o dia mais longo, o sol deu as caras até às 19h30, o que me permitiu fazer uma pequena filmagem, que será postada aqui ainda nesta semana.

Conforme o sol foi baixando, o frio tomou conta do ambiente. A meia que coloquei na frasqueira de viagem foi definitiva para que eu não congelasse por inteira.

 Já na cidade, fomos “recepcionados” por alguns garotos bêbados de alguma torcida misteriosa que, empunhando Heinekens, cantavam e gritavam algo incompreensível, rs.

 Chegada na host family – uma surpresa agradável

Ao chegar na casa de Mrs Sheil me surpreendi ao ver que ela não é nenhuma senhorinha solitária, como havia pensado. Ao contrário: aparenta ter quarenta e poucos anos, é bonita, toda sorridente e calorosa. Me ordenou que deixasse as malas ali mesmo, no corredor, enquanto seu filho, Reddan, quase da minha idade, também veio me recepcionar. Mal entrei na casa e já fui levada à mesa, onde conheci os demais presentes, que bebiam animados depois do jantar.

Reddan saiu com os amigos e Sheil fez um “típico” jantar para mim: pão tostado com feijão enlatado e bacon. E só.

Subi, guardei as malas e dormi até às 13h do dia seguinte.

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