Estrasburgo, capital da Europa

Estrasburgo é a maior cidade da Alsácia e a capital da Europa. Sua história, assim como a de toda Alsácia-Lorraine, é marcada pelas disputas entre franceses e alemães pelo domínio de seu território, considerado estratégico.
 

Após a Segunda Guerra, para encerrar quaisquer animosidades entre as duas nacionalidades acerca da região, a cidade foi transformada em capital da comunidade europeia: hoje, é sede de várias instituições do bloco, como a do Parlamento Europeu e da Corte Europeia dos Direitos Humanos.

Sua herança histórica é rica e a cidade se intitula como uma das mais vibrantes do bloco. Seu centro histórico é listado pela UNESCO como patrimônio mundial da humanidade.

Para conhecer toda a Estrasburgo, compramos o nosso Strasbourg Pass, um passe que dá direito a entradas gratuitas em determinadas atrações culturais.

Começamos o passeio com um tour pelo rio que corta a cidade. Sob pontes, entre eclusas e cercados por casarões medievais, conhecemos um pouco sobre a Petite France (Pequena França), nome pelo qual a cidade era conhecida na Idade Média.

Tour pelo rio

Na Catedral de Notre-Dame, apontada como uma obra-prima da arte gótica, a coleção de vitrais que deslumbrou Victor Hugo. O monumento, até o século XIX, era o mais alto de todo o mundo cristão.

Nosso passe nos dava entrada free para a plataforma, de onde se tem uma vista panorâmica da cidade, e para a apresentação do relógio astronômico. Perdemos ambas, o que gerou uma abundância de bicos e resmungos.

Catedral de Notre-Dame

Vitrais.

Relógio astronômico.

A cidade mantém preservada a parte medieval, conhecida como Petite France, com casas em estilo alsaciano e ruas medievais. É uma das suas atrações imperdíveis.

O prédio mais fotografado de Estrasburgo: maison do séc. XVI.

Duas antigas residências, datadas do século XIX, abrigam o Museu Alsaciano, que oferece um fantástico retrato sobre essa região rural da França.

Ele reproduz costumes religiosos, estilo de vida, culinária, vida social e familiar, além da reprodução cenográfica de como era uma casa alsaciana no século XIX, com cozinhas, quartos, sala de ferramentas, varandas, pátio, além das caves para armazenamento do vinho. Além de ter informações relevantes sobre a região, o museu é muito mimoso.

Cozinha.

Sala do alquimista.

Na Alsácia antiga, as noivas casavam de preto.

Lendo tudo para contar pra vocês.

Reprodução do pátio.

Armazenamento do vinho.

Depois de trotar um dia todo por essa cidade, Auro e eu, super cansados, só pensávamos em voltar para Guiberschwihr jantar nossos deliciosos petiscos de supermercado. 🙂

A mais famosa

A vila de Riquewihr é apontada pelos guias como uma das mais charmosas de toda a Rota do Vinho. Até a Revolução Francesa, ela cresceu rica sob o cultivo de cepas variadas, de Pinot Gris a Gewürztraminer.

Vinhedos

Da entrada pelo Hôtel de Ville até a Torre dos Sinos, as pequenas ruas em tijolos rosa são como um museu a céu aberto.

Restaurantes com menus possíveis, lojinhas, barracas com vinhos que acabaram de ser produzidos, crepes de rua: Riquewihr é mesmo a cidade mais envolvente da Rota.

Os guias, porém, advertem: não a visite no verão, quando as multidões desafiam qualquer mortal a fotografar suas ruas medievais. Mas não no outono:

Adegas antigas: esta é de 1574.

Lojinha.

Crepes de rua em quatro passos:

Sobremesa:

Macarons - eles nos dão esse docinho de coco a toda hora.

Eu, comendo um dos macarons, na loja de doces.

 Vinho novo: nesta barraquinha.

É halloween na Alsácia...

Esse é o gato mais pop de Riquewihr.Todos o querem.

Mas ele nem liga.

História. Triste.

Visita à Torre dos Ladrõees: museu sobre os métodos de tortura na Riquewihr medieval aos ladrões, adúlteros, prostitutas e aos acusados pela inquisação.

Hoje a Torre está num quarteirão florido e abriga campanhas contra quaisquer métodos de tortura e pena de morte.

Fonte, flores...

As janelas da Alsácia

As janelas, esses portais entre o público e o privado.

Na Alsácia, elas são um espaço para enfeitar. Formatos, pinturas, cortinas, rendas. Todos elementos imprescindíveis quando se fala numa janela alsaciana.    

Elas inspiram. Quero janelas assim sobre a minha cama, na minha casa, quero atravessar por elas, olhar por elas.

Vejam tudo o que elas podem ser.

Gueberschwihr

Riquewihr

Eguisheim

Riquewihr

Bergheim

Riquewihr

Colmar

Na Rota do Vinho

A Alsácia é cortada de norte a sul pela Rota do Vinho, assim como os departamentos (estados) da Champagne e Bordeaux. Os guias apontam, no entanto, que a Rota da Alsácia é uma das mais organizadas e primorosas de todas as rotas de vinho da França.

Suas vilas cheiram a mosto de uva. Em cada vilarejo, em beiras de estrada, avistam-se as caves e as maisons. Todos lugares para entrar, degustar e comprar garrafas de cepas regionais. As maisons são como uma herança familiar: de pai para filho, numa tradição centenária.

Abaixo, um dos vinhedos da família Scherb, que produz a bebida há três gerações.

Na placa, lê-se: Família Scherb e filhos.

Da fronteira com a Alemanha ao norte até Mulhouse, ao sul, são 170 km de Rota, que corta vilarejos, castelos, vinhedos. Para percorrê-la, alugamos um carro na Alemanha com um imprescindível GPS. É com ele que vamos cruzar a França, a Bélgica e voltaremos à Alemanha.

Sem a pretensão de cobrir toda a extensão da Rota, demos atenção integral às vilas localizadas no Alto-Reno (Haut-Rhin), como a cidade de Colmar e arredores, com preferência pelos arredores.

Guias sobre a região apontam a eficiência do transporte público francês, mas também uma certa dificuldade em se deslocar pelos vilarejos sem transporte próprio. Só posso dizer que dispor de um carro para percorrer a região dá uma autonomia incrível e torna o passeio muito mais pessoal.

 Neste link, é possível traçar trajetos na região em três versões: a pé, de carro ou de ônibus/trem. Mão na roda.

Nossa vila

Primeiramente, pensávamos em fazer de Estrasburgo a cidade-base para explorar a região, já que trocar de cidade várias vezes não é uma boa ideia. Mas Estrasburgo é grande e estava distante das principais vilas que pretendíamos visitar.

Guias recomendam Selestat e Colmar. Optamos por Gueberschwihr, há apenas 12 km de Colmar e muito, muito charmosa.

Fontes centenárias. Famosas por aqui.

Fonte.

A torre romana.

Rezando por todos vocês.

Casinhas

Alsacianas.

O Caminho de Santiago também começa aqui!

A escolha foi acertada. Numa caminhada matinal, é possível espantar o frio, que chega a doloridos 6ºC neste outono invernal.

Na praça, fontes que datam dos séculos XVI e XVII misturam-se à fachada da igreja e de sua torre romana, a principal atração da cidade.

E, claro, às adegas, indicando que estamos, afinal, na Rota do Vinho.

Nas vilas da Alsácia

A Alsácia é um cartão postal em si mesma.

Localizada na região nordeste da França, é cortada por vilas rurais franco-germânicas, vales e vinhedos.

Nas montanhas no Alto-Reno (Haut-Rhin), entre florestas, ruínas de castelos medievais desenham-se no horizonte. Nos pés das ruínas, vilarejos que datam de um tempo antigo nos lembram sistemas feudais, o poder dos senhores, a vida dos vassalos.

Fortificações que protegiam os camponeses que ali viviam sobrevivem à ação do tempo.

Mansões e casebres alsacianos são muito peculiares: paredes cortadas por vigas horizontais, verticais e oblíquas dominam as pequenas ruas medievais.

É fácil imaginar as carruagens que ali passavam. Também são cenário possível para cavaleiros disputando a honra numa luta de espadas. A Alsácia é inteira cenográfica.

A vila de Eguisheim é uma dessas típicas vilas. No centro de turismo é possível obter um mapa da cidade, que se cruza numa caminhada de 30 minutos. Começamos pelo circuito histórico. Custamos a acreditar nas janelas, sobretudo no parapeito das janelas.

E essa caixa de correio?

Entendemos porque Eguisheim ganhou vários prêmios como uma das mais belas cidades floridas de toda a França. (Não é uma graça eles terem uma premiação assim?)


Uma vez em Eguisheim, recomendamos a Rota dos Três Castelos, que não conseguimos visitar, já que os antigos monumentos só abrem, de outubro a novembro, aos fins-de-semana.

Em Neuf-Brisach, a cidade militar em formato octogonal, encomendada por Luiz XIV, as fortificações do engenheiro militar Vauban são classificadas como patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO. Com o museu fechado e uma atmosfera fantasmagórica que reinava naquela cidade vazia, nos satisfizemos com os detalhes das janelas.



Nos próximos posts, informações sobre vilarejos e suas adegas, o castelo mais famoso da Alsácia e a capital da Europa, Estrasburgo.

Por agora, é preciso parar, pois temos que dar fim nos vinhos brancos comprados numa das tantas caves que encontramos na Rota do Vinho. 🙂

A viagem começa

Olá!

O Tô na Terra da Rainha saiu de viagem: no dia 16 de outubro, o Príncipe veio para cá e partimos para um passeio de 2o dias de carro por França, Bélgica e Alemanha.

Ele chegou aqui sábado. Dormimos em Londres, no dia seguinte cedinho fomos para Alemanha e, ontem, domingo, viajamos e viajamos até nosso vilarejo na França.

Agora, estamos no hotel numa vila minúscula, duas vezes menor que São Francisco Xavier (apenas 2.900 habitantes), e fofa, muito fofa!

Estamos, afinal, na Alsácia, na divisa com a Alemanha, conhecida pelos vinhos brancos que produz e pelas cidadelas pitorescas, cenográficas, um passeio pela França medieval.  

De Londres até aqui, uma cômica sucessão de contratempos e coincidências. Mas isso é assunto para um outro post, que virá em breve. 🙂

Abaixo, fotos do vilarejo onde estamos, Gueberschwihr, localizado na Rota do Vinho. 

Da janela.

 Outro vilarejo.

Digitando este post.