Nicolaska, de São Xico para o mundo

Pois é, amigos: chegou o grande dia em que introduzi a famosa Nicolaska para os amigos de cá. E foi sucesso absoluto.

Antes de começar este post, uma explicação sumária para os incautos que não conhecem a bebida:

Nicolaska é uma espécie de drink levada às terras de São Francisco Xavier (SP) por Mauro Orlando, onde foi recebida com louvor (receita abaixo). O drink, que envolve doses de conhaque, limão e pó de café, sempre gera curiosidade, quando não asco, embora a aceitação seja de 100% entre os que já provaram.

Meus amigos japoneses foram os corajosos que não se intimidaram frente às fatias de limão cobertas por pó de café e açúcar aqui no estrangeiro.

Como tudo aconteceu

Depois de eu contar sobre o famoso drink e eles ficarem extremamente curiosos, decidimos fazer o test-drive no sábado (25), que ganhou status de evento. Todo mundo na casa do novo amigo em comum, vindo do Japão, Tasuku: Ayano, Asaka e eu. Eles nunca tinham provado conhaque antes e eu estava um pouco ansiosa: será que eles vão gostar? Será que Aya terá ânsia de vômito? Será…

Um, dois, três, virou!

Amazing!
Incredible!
So nice!

Todos eram só elogios para a Nicolaska. Ficaram tão impressionados que se comprometeram a repassar os conhecimentos adquiridos para os amigos do Japão. Nicolaska, pra você, o mundo!

Achei que uma garrafa de conhaque fosse um exagero, muita coisa. E qual não é a minha surpresa ao derrubar a última gota num dos copos de dose? Sucesso como poucos.

Such a lovely evenning

Entre uma dose de Nicolaska e outra, conversamos muito e demos muita risada, tudo regado a pints de ciders. Aproveitei o momento oportuno para mostrar aos japas coisas legais sobe o Brasil. Acho eu estava meio bêbada, porque mostrei até uma foto da rodovia Imigrantes.

Mas teve outros momentos ótimos: mostrei a eles o fantástico livro do John Hersey, Hiroshima, sobre a bomba atômica, e conversamos bastante sobre como os japoneses encaram o acontecimento, o país no pós-guerra. 

Mostrei-lhes um vídeo de Ney Matogrosso cantando Rosa de Hiroshima e eles ficaram encantados com a beleza do Ney, aquelas fantasias, aquelas roupas… Pediram bis. Teve ainda Fernanda Takai cantando até em japonês. Aya acordou hoje me pedindo os nomes de Fernanda e Ney. Quer ouvir mais.

No Ipad de Tasuku, que é a coisa mais moderna do mundo, mas a mais moderna mesmo, lhes mostrei São Francisco Xavier, ruas, a igreja, a praça… eles me mostraram Okaido, região onde Asaka vive, e me recomendaram uma visita à parte campestre do país. Eu vou.

Adorei essa tarde regada a gadgets (e a Nicolaskas) que me possibilitou mostrar São Xico para o mundo e conhecer outra parte do planeta. Muito legal, né?

Encerramos a noite. Não sem antes eu lhes prometer uma rodada de caipirinhas.

Mas isso é história pra um outro post.

***

Receita Nicolaska

O drink é muito simples de ser preparado, conforme a receita abaixo:

  1. Doses de conhaque.
  2. Fatias de limão (uma fatia fina de limão).
  3. Pó de café.
  4. Açúcar.

Preparo

Coloque sobre cada fatia de limão uma camada fina pó de café e outra de açúcar. Tenha a mãos um guardanapo. Sirva uma dose de conhaque para cada Nicolaska

Como degustar

Coloque a fatia de limão na boca. Mastigue e não engula o sumo. Pegue a dose e beba-la de uma vez só! Retire o bagaço do limão com o guardanapo (não se esqueça dele!) e dê um gritinho de animação. Espere dez minutos e você verá porque Nicolaska é tão legal.

Preparação.

Com Asaka.

Tasuku, Asaka e eu.

Ayano e Tasuku

Ruffus. Beijei muito esse nariz molhado.

Uma garrafa foi pouco.

Eu conheci um lorde ali parado no jardim

Numa tarde ensolarada de sexta-feira, com um sol morno muito carinhoso, estive numa pequena festa no jardim de um lorde, daqueles que A rainha pôs a espada no ombro três vezes.

A festa aconteceu no dia 21 de maio, quando o tempo deu uma trégua e o sol apareceu, elevando as temperaturas para além dos 20ºC. Minha host mother, Sheil, me convidou para o encontro, cujo objetivo era arrecadar fundos para a caridade pela venda de livros, bolos, plantas e vinho. Sheil era a responsável pela venda dos vinhos e lá fui eu ajudá-la em troca de muitas taças.

O casal ilustre que nos recepcionava era David e Rosie, Sir e Madam, respectivamente. David, o Lorde, estava numa camiseta azul e numa bermuda cor de creme. Professor de Cambridge, ele é sorridente, parece ser gente como a gente. Rosie, sua esposa, vestia um longo avental. Poderia ser uma dessas donas de casa amáveis que cuidam dos jardins em qualquer filme britânico.

É curioso pensar que eles ainda têm Lordes neste país. E, que fique claro: eles não são (ainda) peças decorativas de uma monarquia cambaleante, mas figuras com certa representatividade política. Dá pra acreditar? Nobres e fidalgos no poder, em pleno ano de 2010!

Há até uma Câmara dos Lordes, que é uma das casas do Parlamento (a segunda é a Câmara dos Comuns, cujos representantes são eleitos pelo voto, democraticamente). Esssa Câmara é composta por nobres de nascença, lordes nomeados a título vitalício pela Rainha (em recompensa de serviços prestados à nação), e bispos. O Partido Trabalhista, claro, quer extinguir a Casa dos nobres, mas me parece que os ingleses se orgulham dessa coisa de monarquia e “pares do reino”.

Voltando à festa: o jardim de Rosie e David era bem dividido: nas laterais, estavam as flores, margaridinhas e tulipas. Ao meio, um gramado amplo, e, quase ao fundo, uma árvore grande dava abrigo para a lojinha improvisada de livros. No canto esquerdo, depois da árvore, uma pequena horta com várias hortaliças, o orgulho de Rosie. Próximo das flores na lateral, estavam os responsáveis pela venda dos vasinhos de plantas, que iam de temperos a mudas de flores. Simples, sem nenhum elemento que apontasse luxo ou riqueza, o jardim tinha aquela aura de “autônomo”, que todos os jardins daqui têm.

Num deck no segundo andar, uma banda, com repertório do leste europeu, deu clima à festa, com um violoncelo poderoso, que música-sim, música-não fazia a sua parte.

Enquanto isso, Sheil estava sentada em nossa banquinha de bebidas. Éramos responsáveis pela venda de vinhos tinto e branco, das cervejas e do suco caseiro, feito das uvas que floresceram no verão passado, ali mesmo naquele jardim. A videira, que deu tais frutos, estava bem acima de nós, testemunhando os “hums”, “hãm” que cada um fazia quando tomava a concentrado bebida.

Depois de passear pelo lindo jardim, fui propor minha modesta ajuda. Para tomar nota: na Inglaterra, não é permitido vender bebida alcoólica sem licença. Então, cada um que comprava um drink alcoólico recebia um tíquete. A estratégia é a seguinte: se um fiscal baixasse ali, o argumento seria que o produto vendido era o tíquete, e o vinho, apenas um brinde da casa.

A tarde foi caindo e era bonito ver todo mundo banhado por aquela luz de pôr-do-sol, com taças numa mão, vasinhos de flores em outra. Enquanto ia admirando a cena, também ia treinando meu inglês: contar as moedinhas, aprender a dar o troco (o money…), compreender diferentes sotaques, ser apresentada por Sheil para cada um que comprava uma taça de vinho e depois ter que lembrar o nome de cada um deles, a perigo de Sheil ficar desapontada comigo. Foi bom para o inglês, bom para exercitar a memória.

No fim da festa, minha host mother veio me mostrar uma planta, que parecia um pé de couve. Eu fiquei toda esperançosa para o jantar, porque eu AMO couve. Mas, ela logo me explicou que de couve aquilo não tinha nada, que do caule se fazia uma sobremesa muito famosa. Fiquei pensando na sobremesa que se é feita com o caule de uma planta que é a cara de um pé de couve, e não me animei muito. Mas, tive que provar depois.

De volta para a casa, fiquei sentindo uma coisa boa na alma, daquelas que a gente sente quando dá de cara com a calma.

Credito: O titulo desse post foi sugestao de Ticiane Toledo        . Ela adora quebrar ideias tradicionais. Ela adora cultura pop.