No segundo jogo do Brasil, surpresa: há brasileiros em Norwich!

Neste domingo (20), um evento atípico me chamou a atenção: uma tarde brasileira em Norwich, com direito a comida, bebida e música típica de nosso país, tudo para preparar os presentes para o jogo entre Brasil e Costa do Marfim, que aconteceu às 19h30, no horário inglês.

O evento foi no Norwich Arts Centre, que é um espaço super in da cidade, ligado a atividades culturais. No bar, era possível degustar caipirinhas (boas!), feitas de Sagatiba. Na TV, Itália protagonizava mais uma zebra contra a quase amadora Nova Zelândia.

Uma hora depois, veio a maior surpresa de todas: uma banda, formada por ingleses, que só toca música brasileira!!! O nome do grupo é Rabo de Foguete (óhn!) e tem no repertório sucessos de Tim Maia, Jorge Ben, Clara Nunes, Sergio Sampaio, O Rapa, Luiz Gonzaga… uma viagem!

A banda foi formada há cerca de um ano e meio pelo músico Marcus Patteson. Há alguns anos, Marcos morou no Rio de Janeiro, com sua família, e tocou com o Monobloco, grupo carioca criado em 2000 pelo atual Plap (Pedro Luís e a Parede). Trouxe o que aprendeu no Brasil para Norwich e montou aqui a Norwich Samba. A Rabo de Foguete é, pois, uma extensão deste outro grupo. A Rabo de Foguete, claro, não é muito solicitada: faz uma média de seis shows por ano.

A banda é formada por ingleses e apenas o baixista é brasileiro. Tipo, o baixista. O vocalista e o pessoal da bateria (sim, eles têm uma bateria!) são todos daqui. Mas, eles tocam tão bem, com um repertório tão fantástico, que você, às vezes, duvida que eles não tenham um pezinho no Brasil. 

Voltando…

Como quase todo mundo estava vestindo verde-e-amarelo (inclusive a banda), não dava para saber quem realmente era um dos meus conterrâneos e quem era apenas um amante da nossa cultura. Só pude identificar uma mulher que, com certeza, era brasileira (em outras palavras, estava vestida para sambar).

Quando a banda começou a tocar, com o seu “deixe-que-diga-que-pense-que-fale”, alterando com o “moro-no-pá-trô-pí”, foi batata descobrir quem era brasileiro. Era só ver de onde vinha o corinho.

No meio do show, uma das vocalistas começou a clássica “êee, baiana, ê-ê-ê baiana, baianinha”, com uma voz idêntica a da Clara Nunes. Foi a senha para que aquela que suspeitei ser brasileira abrisse espaço entre a platéia e se postasse lá na frente a sambar, freneticamente. Ela não era uma representante muito louvável de nossa espécie.

Acabada a banda, degustada uma feijoada das boas, cozinhada por um brasileiro (que fez até torresmo para acompanhar!), era hora de assistir ao jogo! Afinal, é para isso que estamos aqui!

Em frente a um telão, foram colocadas cadeiras. O salão (que na verdade foi uma igreja no século XVIII) parecia uma sala de cinema. Vimos o Brasil entrar, com nossa bandeira, bem grandona, flamejando bem na ponta do nosso nariz. Quando começou o hino, os cinco brasileiros que estavam presentes se levantaram e, com a mãozinha no peito, cantaram-no. Foi emocionante. A sensação de unidade que a gente sente nestes momentos, quando estamos tão longe de casa, é algo muito estranho.

Começado o jogo, eu estava com muito medo de pagar um mico coletivo. O brasileiro que cozinhou a feijoada tinha uma porcaria de uma vuvuzela (eu odeio vuvuzelas) e ficou cornetando o jogo todo. Temi pelo mundial do Brasil em 2014.

Quando o Brasil fez o primeiro gol, com Luiz Fabiano, foi uma festa só. Quando veio o segundo, então, com três chapéus, vibração!!! Até o replay mostrar os dois toques com o braço que o brasileiro usou para completar a jogada. Só dava inglês murmurando “disgusting!” do meu lado e eu, vermelha de vergonha.

Depois, com o terceiro gol, ficou tudo mais tranqüilo. O Brasil fez um jogo lindo e eu fiquei super feliz de ter com quem gritar Goooooooooooool! nessa Copa do Mundo.

Troquei telefone com as duas conterrâneas que encontrei aqui. Todas estávamos surpresas em encontrar brasileiros! Juliana está aqui há dois anos, e Tatiana e eu somos os primeiros representantes de nosso país que ela encontra. Falamos um pouquinho de português (mas só um pouquinho) e nos despedimos.

Antes, convidaram-me para assistir ao jogo entre Brasil e Portugal na próxima sexta-feira (25), mas disse que não podia.

Sexta-feira estarei em Dublin, com meus queridos Tainá, Stevan e Meliam, brasileiríssimos, para torcer pela nossa seleção!

Aguarde os detalhes nos próximo posts!

A Copa do Mundo é nossa!

Enfim, o evento tão esperado do ano começou!!

A Copa do Mundo, com suas 32 seleções, chegou mobilizando todos os estudantes, que, em tempos de Mundial, viram amantes do futebol, não importa quanto tenham negado essa paixão nos últimos quatro anos.

E, com intercambistas de tantas partes do mundo, a gente acaba acompanhando todos os jogos, porque é cada um torcendo pelo time de seu país, comemorando ou lamentando os resultados de suas seleções. Que o digam minhas colegas japas, espanholas, italianas e francesas – as três últimas, representantes das seleções consideradas as zebras desta Copa!

Este post será para contar, pois, como eu, até então a única brasileira a se ter registro no leste inglês, estou dando suporte ao nosso time na Copa.

O primeiro jogo foi um pouco depressivo: aconteceu na última terça-feira (15), quando meu amor encerrou sua visita a Norwich. Fiquei uma tarde inteira mergulhada em solidão, sem dar a mínima para a Copa, para o Brasil, para o tosco do Dunga, para as maquinações da CBF, essas coisas.

Mas, foi chegando a hora do jogo e tive que tomar uma posição.

Enfiei-me na minha camiseta verde-amarela com a bandeira do Brasil e, na ausência de brasileiros, chamei substitutos: uma espanhola e dois árabes foram as minhas companhias para torcer pelo Brasil!

No pub The Murderers, tive que agüentar toda uma torcida contrária, que comemorava todo e qualquer contra-ataque da Coréia do Norte. Um desaforo! Do meu lado, ainda tinha Ingrid, espanhola, me dizendo que o Casillas, que a Espanha, porque a Eurocopa, o Barça, blábláblá.

Porém, como o tempo é senhor da razão, ainda naquela semana o mundo descobriu que Espanha não tem nada a ver com o que o Barcelona tem feito no futebol europeu, e a seleção espanhola protagonizou a primeira zebra do Mundial. Coisas de Copa do Mundo.

Nos dias subseqüentes, fiquei acompanhando a Copa via twitter e portal Uol.

Na sexta-feira (18), com todos os estudantes muito empolgados, fomos torcer pela Inglaterra no jogo contra a Argélia, no pub Henry’s, sem saber a árdua tarefa que nos esperava. Descobrimos o porquê a Inglaterra só ganhou um Mundial até hoje, há mais de 40 anos, e porquê ninguém aqui acredita que o time vai chegar nem às oitavas-de-final.

Mesmo com essa descrença, inglês nenhum deixa de torcer pela sua seleção: na sexta à tarde, todas as lojas de bebidas estavam lotadas, gôndolas de cerveja, vazias, e pedestres carregando sacolas e sacolas com conteúdo etílico. Eles, sim, são sofredores e não desistem nunca!

O jogo foi um fiasco, mas a gente se divertiu assistindo aos ingleses assistindo ao jogo.

No sábado, num almoço organizado na casa de uma das estudantes da minha sala, vimos Austrália e Japão. Torcemos pelo Japão, porque temos duas estudantes daquele país na escola. Mas, nossa torcida não foi suficiente para arrancar uma vitória para os asiáticos.

A partida seguinte que assisti da Copa do Mundo foi da nossa gloriosa seleção, numa tarde tipicamente brasileira em Norwich. Acompanhe no próximo post!

Eles também vestem verde-e-amarelo!

Quem disse que o Brasil é o país do futebol, precisa passar uma hora num pub inglês em dia de jogo. Todos sabem que o futebol nasceu na Inglaterra mas, o que eu desconhecia, é que eles simplesmente são fascinados por esse esporte!

Explico:

Há duas semanas, presenciei mais um acontecimento que os moradores de Norwich consideram importantíssimo: a recepção do time Os Canários, que representa todo o estado de Norfolk, mas que é natural de Norwich. O time acabou de subir um nível na competição nacional (o equivalente ao nosso Campeonato Brasileiro) e foi recebido com pompas e honras pela cidade no último dia 13 de maio. O clube tem história: são 100 anos de existência, jogando contra grandes times, como Manchester United, mas nunca ganhando. 

Estava eu na Primark, loja de departamentos que se assemelha ao paraíso, despendendo toda uma tarde na escolha de algumas camisetas, meias, casacos.

Lá pelas 17h, terminei de fazer as compras e saí para a rua. Qual não foi minha surpresa ao ver uma multidão vestida de… verde-e-amarelo! Homens e mulheres com camisetas, perucas e cachecóis nestas cores, empunhando bandeiras, sorrindo, como um exército colorido! Ninguém sabe ao certo o porquê das cores verde-e-amarelo serem as oficiais do time, mas suspeita-se que o motivo seja porque essas são as cores do pássaro canário.

Perguntei a uma senhorinha vestindo um dos cachecóis verde-amarelo e ela me explicou o motivo da alegria coletiva: os jogadores do clube chegariam dali a uma hora, passariam por aquela avenida e seriam recepcionados no Castelo. Ou seja: estava eu, coincidentemente, na linha de fogo!

Fui andando e procurando o melhor lugar para registrar tal momento. Me aboletei no pub The Bell Hotell, onde uma multidão de ingleses bêbados entoava canções. Pedi um pint (o copo de cerveja aqui é um pint: cerca de 500 ml), e me postei na mureta do pub, junto a homens e mulheres eufóricos. Ao meu lado, um grupo de torcedores se divertia ao dar início a de músicas tradicionais e a gritos de guerra. De um outro lado qualquer, sempre vinha um contra-canto, e quem não sabia a sua parte, recebia uma vaia sonora.

Chegada uma hora, cansei de ficar ali perto dos marmanjos e tentei subir num banquinho: uma inglesa monstra simplesmente ME EMPURROU, estando eu com as duas mãos ocupadas. Quase pranchei com as fuças no chão. Tal acontecimento me deixou muito cabisbaixa, me levando a uma profunda reflexão, a ponto de eu deixar o recinto. Desejei bater fisicamente naquela inglesa filha-da-puta-do-caralho boba e chata, mas achei melhor não.

Engoli o choro e resolvi ir embora. Não sendo possível cruzar o exercito colorido rumo a minha casa, fiz um caminho inverso: atrás do pub, há uma entrada para um shopping da cidade, The Castle Mall. Entrei na primeira porta e saí na outra ponta. Com uma multidão fechando minha passagem nessa outra ponta, comecei a amaldiçoar a recepção à porcaria dos jogadores.

Mas, dois segundos depois, um caminhão verde-e-amarelo despontou no começo da avenida. Eram os atletas! Ocupando um lugar privilegiado na mureta, saquei meu celular e fiz algumas fotos deste momento tão importante para os moradores de Norwich! (Desculpem, mas minha câmera estava sem bateria. Tive que usar o celular).

E descobri um mistério que estava me assombrando a mente: quem se lembra dos torcedores empunhando Heinnekens? Pois bem: estavam a comemorar a última vitória de Os Canários.