A arte de dizer goodbye

Eu poderia ser qualquer coisa na vida, menos médica e dizedora de goodbyes.

A partida me dói. Estações de trens, rodoviárias, pontos de ônibus de cidades interioranas, são todos matéria de nostalgia.

No fim-de-semana que passou, expliquei para os amigos japoneses a palavra em português saudade. O inglês é tão objetivo, não a encontro na nova língua. Eles também não. E, por isso, a incorporaram ao vocabulário. Tasuku veio me dizer domingo, na prévia de partir:

– Estou sentindo uma coisa estranha… acho que já é saudade.

Na próxima sexta-feira (15), termino meu programa de estudos e também deixo Norwich. Já começo a me despedir de cada lugar. Para cada dia chuvoso, cada jardim, começo a dizer a eles um adeus calmo, mas definitivo.

Hoje Tasuku pegou o trem para Londres. Fugi para não dizer bye bye. Mas não teve jeito. Aya e Asaka me convocaram para um café. Só que tomar um latte esperando a hora da despedida é contagem regressiva, é tempo delimitado, é aguardar um fim que já está na soleira da porta. Foi um café cheio de risos, porque eram os últimos, mas de risos afetados por olhadelas no relógio.

Não encontrei nem Ingrid, nem Chiara, boas amigas que fiz aqui, nos respectivos dias em que voltaram para casa.

É emoção ao avesso ir à estação de trem, ver malas prontas, assistir a procura pela plataforma, a entrada no vagão, com a sensação de que aquele adeus é até nunca mais. Claro que há a possibilidade de um dia viajar e encontrar essas pessoas, mas a parte prática é que isso provavelmente não ocorrerá.

Esse sentimento de fatalismo é dolorido, mesmo que não haja tanto afeto assim. A questão não é deixar quem parte, mas se dar conta da existência inexorável da partida.

Após acompanhar Tasuku até a estação, aproveitei para comprar meu bilhete para Londres para a próxima sexta-feira, último dia de minha estada aqui.

A atendente me pergunta:

One way?

E eu me dei conta que Sim. É a minha vez de ir embora.

Atrás da minha casa tem um jardim, o James Stuart Garden. Após a morte de Stuart, sua esposa o construiu em homenagem a ele. Foi o seu modo de dizer goodbye, mas com arte.

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