Estocolmo, a capital da Escandinávia

– Vamos para Estocolmo?

– Vamos!

Foi assim que decidi conhecer a capital da Suécia. Ayano e Asaka, com quem divido casa, haviam comprado as passagens dois dias antes, por 16 libras. As minhas saíram um pouco mais caro: 30 libras, mas ainda assim um ótimo negócio.

Na quarta-feira, 8, embarcamos no aeroporto de Stansted, em Londres, para um mistério: o que é Estocolmo?

A capital sueca é a cidade onde Walter Disney levou seus comparsas para criarem as animações da Disney – suponho eu. As construções em estilo renascentista, a cidade rodeada por palácios: a Suécia tem um quê de mágico. E é muito fotogênica sob um sol de fim de verão.

Viagem

Ir para Estocolmo, ainda que por acidente, foi uma ótima escolha. A cidade transpira cultura, é possível passar uma semana visitando lugares diferentes e aprendendo mais sobre a Escandinávia.

Nosso tempo era curto. A quarta-feira foi dedicada apenas à viagem, que durou cerca de 10 horas de Norwich até o hotel. A sessão “turismo ensandecido” começaria apenas na quinta-feira.

Start!

No dia seguinte, hora de desbravar a cidade! Para tornar tudo mais fácil e barato, optamos por adquirir o Stockholm Card 48h, que dá entrada gratuita a mais de 80 atrações, como museus, galerias e palácios, além de incluir transporte público e passeios turísticos de boat. Altamente recomendável!

Nosso passeio daquele dia foi fantástico! Primeira parada, Vasa Museu.

O navio de 382 anos

Deixado o museu, bóra pegar o boat para a cidade velha Gamla Stan e voltar para o hotel. A sexta-feira exigia organização prévia, visto que o tempo é curto e Estocolmo é uma cidade com muito para se ver.

O segundo dia de viagem começava cedo: seria uma maratona por dois museus, uma torre e um palácio. O primeiro deles, a Câmara Municipal de Estocolmo, é onde acontece a premiação anual do Prêmio Nobel.

Naquele dia, ainda conhecemos a Torre do Stadshuset, o Palácio Real e o Museu de Arte Moderna.

Quero ser prêmio nobel.

Aposentos reais de verdade

De Dalí a Picasso em Estocolmo

No sábado, último dia de viagem, decidi que iria visitar o Palácio onde a família real vive atualmente. Para chegar até lá, um dos guias de bolso recomendava uma viagem de barco pelo lago Malären. Não estava muito convicta. O dia nublado roubava um pouco o encanto. No fim, optei pela recomendação. Uma vez em Estocolmo, precisa-se navegar pelo lago Malären – com sol ou não.

A casa da família real

Coisas incríveis de Estocolmo

A capital sueca é, definitivamente, um dos lugares mais bonitos que eu já conheci. Há muito o que ver e fazer. A cidade transpira cultura, é um banho de informação que a gente recebe. Eu amei conhecer Estocolmo e aprender tanto sobre tanta coisa.

O que mais me chamou a atenção foi a arquitetura, suas influências românticas e renascentistas, mas também um estilo nacional.

A arquitetura presente na cidade é quase atual: devido ao incêndio que destruiu grande parte da capital em 1697, tudo foi reconstruído. E porque esse era o período de ouro daquele país, os novos prédios traziam a imponência que um gigante do norte tinha naqueles tempos. Em cada construção, a exaltação da soberania sueca e do seu poderio econômico.

O metrô de Estocolmo é de cair o queixo – de sul-americanos e de japoneses! Minhas companheiras de viagem ficaram tão surpreendidas quanto eu.

Além de possuir quatro níveis (metrô debaixo de metrô debaixo de metrô…), cada estação tem a sua própria identidade visual. É uma loucura! Não bastasse os suecos terem feito um metrô altamente eficiente, com uma malha que cobre toda a cidade, ainda se preocuparam em tornar o subsolo de Estocolmo uma exposição de arte. A cada estação, uma surpresa.

Estação nível 4 do Metrô.

Do último nível do metrô ao mundo real.

 

Coisas malas de Estocolmo

Infelizmente, tenho que dizer que simpatia não é o forte dos suecos. Acredito que a cidade atingiu um nível de organização tão grande que qualquer pedido de informação soa redundante, descenessário, irritante. As pessoas simplesmente ficam passadas se você não entende o sistema.

Há uma espécie de obrigatoriedade em ser moderno em Estocolmo. Uma amiga havia me dito que os países nórdicos eram “muito primeiro mundo”. Não entendi de imediato. Lembro que no primeiro dia procurávamos desesperadas pelo centro de informações.

Seguímos aquele “i” até a estação central e levamos um bom tempo para entender que o Centro de Informação a que o tal “i” se referia eram três computadores conectados ao site oficial da cidade… Essa coisa de ser moderno em cada detalhe é muito chato.

A terceira coisa mala de Estocolmo é, claro, o preço. Já estavam pagos o hotel e todas as atrações a serem vistas na cidade, bem como o transporte público – com o cartão Estocolmo, lembram? Fui gastando em libras, não em reais mas, a capital sueca é três vezes mais cara que Norwich! Passamos três dias comendo Mcdonald’s, rs. Que mesmo assim era mais caro que o daqui!

De volta pra casa

Às 18h do sábado demos início ao pau-de-arara. Ônibus para o aeroporto, espera avião, toma avião, chega na Inglaterra, enfrenta aquela fila básica na imigração, espera ônibus para Norwich e chegam, belas, as três, às 5h da matina nessa cidade maravilhosa.

Quando desci do avião, senti uma felicidade imensa ao ouvir de novo alguém falando “obrigado”, “bem vindo”, sorrindo… ah, como o povo inglês é caloroso, como são educados, como é baixo o custo de vida na Inglaterra!

Estocolmo me ensinou, por ora, que tudo é relativo nessa vida. 😉

Para ver as fotos da viagem, clique aqui.

Informações sobre a cidade

Para quem tem interesse em conhecer Estocolmo, algumas informações:

Fuso horário: +5h (em relação ao horário de Brasília)
Moeda: coroa sueca. 1 cora = R$ 0,25 (não se iludam. Uma água custa 30 coroas, uma cerveja, 50…)
Transporte público: uma das sete maravilhas do mundo. Metrô, ônibus e trens altamente eficientes.
Stockholm Card: Cartão que dá acesso a mais de 80 museus, galerias, além de transporte público gratuito.
Hospedagem: Ficamos no Reimersholme Hotel, 30 euros por noite. Banheiros coletivos, mas altamente recomendável!  

Vasa, o navio de 382 anos

*Este post faz parte de uma sequencia de posts sobre viagem a Estocolmo.

No ano de 1628, o navio Vasa deixava o porto de Estocolmo em busca de conquistas no Mar Báltico. O rei Gustav II Adolf estava em guerra com o rei da Polônia, que também reclamava o trono sueco, e buscava o domínio do comércio na rota do mar do Norte. O navio Vasa levara dois anos para ser construído e era um luxuoso navio de guerra. Porém, 20 minutos após deixar o porto, a embarcação naufragou.

Cerca de 300 anos depois, em 1961, o navio foi resgatado no Lago Malaren, com 95% de sua estrutura intacta, e passou a ser estudado.

O Vasa Museu

Quando li sobre o Vasa Museu, achei que seria interessante conhecer. Não sabia, no entanto, que museu fantástico me esperava.

Ao chegar na ilha onde ele está localizado, avistam-se o mastro e as velas do navio. São gigantes, estão para fora do telhado.

Passo cartão para entrar, ultrapasso uma, duas, terceira porta. E lá está o navio de 61 metros de cumprimento prostrado no meio daquele museu escuro e frio. Circundo o barco, parece que ele tem cheiro. Que ainda está úmido. Aquele imenso barco medieval construído à mão havia dormido por três séculos no lago e foi trazido da morte. O museu tinha um cheiro de morte.

Arqueologia

O Vasa Museu é impressionante não só por expor um barco gigante. Ele é, antes de tudo, o resultado de um impressionante trabalho arqueológico, de resgate e de restauração que começou há 40 anos.

Os cientistas fizeram estudos sobre cada detalhe do navio: estudaram a matéria-prima da qual ele foi feito, o que cada uma de suas 500 esculturas entalhadas em carvalho representam, além de realizar um minucioso estudo sobre quem eram os marinheiros que viajavam naquele 10 de agosto de 1628.

Reconstrução em miniatura das cores.

Numa das esculturas, um leão, foram encontrados vestígios de pigmento, o único ponto do barco onde algum resquício de cor foi mantido ao longo dos séculos. Por 12 anos, cientistas estudaram amostras retiradas do navio e reconstruíram exatamente as cores com que o Vasa foi pintado. Um trabalho de precisão.

Quando o navio foi resgatado, foram encontrados 14 esqueletos completos de marinheiros que morreram naquele dia e mais de 2 mil ossos humanos que não puderam ser identificados. A partir de estudos sobre os ossos dos marinheiros, cientistas puderam descobrir como era a vida na Suécia no século XVII, como era a vida cotidiana dos que entravam para a Marinha e em que condições essas pessoas viviam.

Mas como o Vasa sobreviveu?

Pois como pode o Vasa jazer no fundo de um lago por 300 anos e voltar à superfície praticamente intacto?

Naquele ponto do naufrágio, onde o Lago Malaren encontra o Mar Báltico, a salinidade é extremamente baixa, assim como o nível de oxigenação. Tais condições impedem a existência do “shipworm”, molusco responsável pela degradação de madeira.

E por que o Vasa afundou?

Porque era pesado demais, estreito demais e tinha um pequeno erro na sua base. O Vasa era um navio militar, construído para ser veloz. Quando deixou o porto, carregava duas linhas de canhões, uma de cada lado da embarcação, com as portas de armas abertas para saudar a corte que celebrava sua partida ao encontro do rei. Numa rajada de vento, o Vasa, que pelo seu estreitamente era extremamente instável, curvou para a lateral. A água entrou pelas portas de armas, o navio não conseguiu se reequilibrar e naufragou.

Cuidados com o Vasa

Quando foi resgatado, o Vasa secou por nove anos. Os cientistas estavam frente a um dilema: o que é conservar, nas condições atmosféricas atuais, um navio preservado por tanto tempo no fundo de um lago?

O museu tem controle de temperatura, umidade e de luz. O museu fica numa penumbra gelada. Eles alegam que o motivo é técnico. Mas a luz fraca que cobre o Vasa é um dos elementos que levam os visitantes a divagar sobre tudo o que pode ter acontecido naqueles 20 minutos entre a partida e o naufrágio.

Para conhecer mais sobre a história do navio, o site do museu traz informações detalhadas: Vasamuseet.

Quero ser prêmio Nobel

*Este post faz parte de uma sequência de posts sobre viagem a Estocolmo.

Câmara Municipal de Estocolmo

 

Saída para o jardim da Câmara Municipal.

Se me pedissem para construir um prédio que significasse opulência, ergueria o Stadshuset. Construído entre 1911 e 1913, segundo os desenhos do arquiteto Ragnar Östberg, é ali que o Prêmio Nobel é entregue no dia 10 de dezembro de cada ano.

A Câmara de Estocolmo é uma das construções mais importantes da Suécia, em estilo nacional-romântico. O prédio não é aberto a visitas, mas tem tours guiados quatro vezes ao dia, em hora determinada. Juntamos-nos ao primeiro grupo, o das 10h.

O tour começa no grande Salão Azul (que na verdade é vermelho), onde todos os anos acontece o banquete de entrega do Prêmio Nobel.

Tour segue e guia nos leva para a Sala do Conselho, onde reúne-se a assembléia municipal de Estocolmo. Como tudo neste prédio, cada detalhe, cortina, poltrona é a cara da riqueza. O que mais chama a atenção nessa sala é o teto: sua abertura simbólica relembra as cabanas dos tempos dos vikings. As cores, azul e amarelo, lembram o céu, mas também representam a bandeira sueca.

Base da torre.

Caminhamos rapidamente (tudo é rápido nesse tour, nem tempo de fotografar a gente tem!) para a Abobada dos Cem, fantástica. Ali é a entrada de honra da Câmara Municipal e dá acesso ao piso onde ocorrem as festividades. No teto, pintura delicada. Ficaria olhando para esse desenho mágico pra sempre.

Deixamos a Abóbada, passamos pela antecâmara do piso das festividades, a Oval, que foi construída especialmente e unicamente para abrigar tapeçarias francesas.

Andamos pela Galeria do Príncipe, que é usada para as recepções oficiais do município. De um lado da galeria, tem-se uma vista privilegiada do Riddarfjärden, uma parte do lago Malären. Do lado oposto, um afresco, que levou quatro anos para ser feito pelo irmão do príncipe, reproduz a mesma paisagem do Riddarfjärden vista pelas grandes janelas do aposento. Com isso, quando o príncipe recebe convidados para banquetes, convidados de ambos os lados da mesa têm, de certo modo, a mesma vista do lago Malären. (Estes suecos são muito geniais!)

Sala Dourada.

O último ponto do tour é a Sala Dourada, cujo advetivo “dourado” não tem nada de casual. 

Criada para ser um luxuoso aposento de festividades, a Sala Dourada é uma sala de banquetes inteira coberta por 18 milhões de mosaicos de vidro e de ouro. Um escândalo.

Era aqui que aconteciam os banquetes para da premiação do Prêmio Nobel, mas o local ficou pequeno. Hoje, o espaço é dedicado apenas para o baile de gala após o jantar.

Saí de lá planejando qual vai ser o meu feito para ganhar o prêmio Nobel. Imagina! Deve ser muito legal ter um banquete no Salão Azul, um drink na Galeria do Príncipe e um baile de gala na Sala Dourada!

Como será que o Saramago se comportou no meio dessa lambança toda, né? Isso não saía da minha cabeça enquanto caminhava pela Câmara de Estocolmo, essa cidade de abastados.

Mais:
Estocolmo, a capital da Escandinávia.

Aposentos reais de verdade

*Este post faz parte de uma série de posts sobre minha viagem a Estocolmo.

Palácio Real

Eu sempre achei que tivesse idéia do que era um palácio. Não, eu não tinha. E acho que qualquer pessoa normal não tem. Eles têm um quê de suntuosidade que a plebe não consegue imaginar por si mesma. Nem fotografias, nem filmes, literatura altamente descritiva: eles não dão conta de nos transportar para a essência do que seja um palácio.

O Kungliga Stollet foi contruído no século XVII, no lugar do antigo palácio que existia no local, para ser a residência da família real após o incêndio que destruiu a cidade em 1697. Hoje ele é a residência oficial do rei e é o local onde acontece a maioria das recepções oficiais do país.

Construído pelo arquiteto Nicodemus Tessin, o monumento é todo em estilo barroco e é inspirado nos palácios romanos. Com cerca de 600 aposentos, o Kungliga é dividido em sete andares, uma construção enorme, imponente, deslumbrante.

Vêem essa marca no chão? É o espaço que a mesa para o banquete de gala ocupa no aposento de King Carl.

Sem tempo suficiente para uma visita completa, que incluiria O Tesouro da Coroa e a Galeria de Antiquidades de Gustavo III, optamos por visitar apenas os aposentos reais. Caminhando por eles, é possível entender o que foi o século XVII para a Suécia, quando este país inaugurou a sua era de ouro, ou o “Período de Grande Poder”. É também´um passeio pelos reis que ali viveram, com seus aposentos ainda intactos, tronos expostos, seus quadros pendurados.

É possível também entender todas as revoltas populares contra a coroa – quaisquer coroas. Construir aquela maravilha arquitetônica foi praticamente um roubo aos cofres públicos!

Visitar um palácio é ficar dividida entre a beleza da arte e o repúdio ao luxo em detrimento de outros grupos. Um palácio real é algo fora do senso comum. E é deslumbrante.

A casa da família real

*Este post faz parte de uma sequência de posts sobre viagem a Estocolmo.

Palácio Drottingholm

 

No sábado de manhã, decidi pegar um boat até a ilha onde esta localizada  a casa da família real.

Perdi o primeiro barco para a ilha porque não sei interpretar mapas. Nos dias anteriores havia contado com a ajuda gloriosa de Asaka, mas no sábado era cada um por si. Ok, vamos esperar por uma hora sentada nesse banco aqui.

Quando o barco chegou, eu, que fui a primeira a atracar naquele porto, tive que assistir, incrédula, a entrada de umas 60 velhinhas e velhinhos americanos na minha frente. Eram um grupo, explicava o manager do boat.

Ok, só porque eram velhinhas, eu não fiquei tão puta assim. Dentro, o barco me lembrava o filme baseado em livro homônimo de Agatha Christie, Morte no rio Nilo. As janelas, os personagens, a paisagem… agora era só aproveitar pelos próximos 50 minutos!

Infelizmente, o dia estava nublado e eu estava cansada de lago, palácios, coroa, arquitetura barroca e renascentista. No palácio, já estava virando clichê tudo banhado a ouro, tudo esculpido em mármore, moveis em mogno, moveis em carvalho…

O cansaço é mau conselheiro quando a gente viaja.

Quando o barco aportou em frente ao monumento, me dei conta que nunca é possível imaginar previamente a grandiosidade de um palácio. O Drottiningholm foi inspirado pelo Palácio de Versalhes. Por aí, já dá para imaginar que o Palácio de Versalhes deve ser uma ignorância.

Aquele imenso bloco de 608 aposentos conta ainda com 25 diferentes áreas: estábulo, imensos jardins (três deles ingleses), pavilhões, campos, teatro particular… uma viagem.

Jardim real.

Li que se levava cerca de três horas para conhecer todo o monumento. Mas aquela altura não conseguia mais ler uma linha de descrição em inglês, ouvir um tour sequer, andar um metro que fosse, tirar uma foto enquadrada que pudesse. Só queria ir ao hotel pegar a mala e tomar o ônibus para o aeroporto, chegar em Norwich, ver casinhas normais…

Ficar se deslumbrando cansa, juro.

Antes disso, ainda precisava voltar para Estocolmo naquele vagoroso boat, que levaria 50 minutos.

Boat igual ao nosso.

Embora meu passeio pelo Drottiningholm tenha sido obscurecido pelo cansaço, recomendo fortemente que qualquer pessoa que visite Estocolmo vá ao palácio. Ele está incluído na lista da UNESCO como patrimônio da humanidade e é uma obra de arte.

O passeio de barco até o local também é recomendável – se você estiver acompanhado é melhor. É meio boring ficar 50 minutos olhando para um lago e suas margens sem ter com quem dividir isso. A não ser que você seja zen, daí é outra história. 😉