Como alugar carro na Europa

Na viagem que Auro e eu fizemos, de 20 dias por França, Bélgica e Alemanha, alugar um carro foi o melhor dos mundos.

Nosso roteiro incluía viajar por uma região bem peculiar, a Alsácia, onde transporte próprio significava qualidade, e firmamos o pé que alugar um carro seria uma opção acertada. E foi!

Este post será, pois, para contar como foi nossa experiência com aluguel de carros na Europa, e espero que ajude futuros viajantes.

Vou começar enumerando algumas informações importantes:

1. Não é porque você vai ficar 20 dias na Europa que alugar carro é uma boa. Pense no seu roteiro, leia bastante sobre os seus destinos e veja se sua ideia é plausível. Não é plausível, por exemplo, cobrir vários países numa mesma viagem.

2. Se for passar apenas por cidades grandes, é preferível o transporte público. Trens de alta-velocidade cortam toda a Europa, são muito práticos e com bons preços se comprados com antecedência. Os metrôs das capitais são altamente eficientes, enquanto o trânsito é caótico. Em Paris, nosso carro ficou na garagem por quatro dias.

3. Alugar um carro para ficar cortando nove, dez países não é legal. Gasolina no continente europeu é cara.

Se mesmo assim você quer alugar um carro, algumas dicas:

– Alugar um automóvel para descer da Inglaterra para o resto da Europa inclui dirigir do lado contrário e atravessar o Canal da Mancha pelo Eurotúnel, uma vez que a Grã-Bretanha é uma ilha o que a faz ser cercada de água por todos os lados.

– Aluguel de carros na França são quase o dobro do preço. É preferível optar por um destino alternativo. Mas, lembre-se: será necessário voltar com o carro para o seu destino de origem. Alugamos o nosso na Alemanha, mas fazia parte do itinerário voltar para lá.

Opte sem titubear por GPS, mas não esqueça de ficar de olho nas placas! Abaixo, foto do nosso GPS mostrando-nos a Rota do Vinho.

– Ao incluir GPS, certifique-se de que o aparelho contém todos os mapas dos lugares para onde você está indo. Em nossa viagem, esquecemos-nos deste pequeno detalhe. Isso incluiu viajar a esmo por cerca de 200km porque nosso carro só tinha os mapas da Alemanha, Polônia e República Checa. E nosso destino era o lado oposto da Europa. 😦

– Portanto, mesmo ao optar pelo indispensável GPS, tenha um Atlas Rodoviário na mala de mão. Eles nos teriam salvo de três problemas inenarráveis com o navegador. 😉

– Reservar com antecedência significa pagar (bem) mais barato. Não enrole! Na Europa, essa regra vale de verdade.

– Viajar de carro tem benefícios maravilhosos, como avistar paisagens deslumbrantes em caminhos alternativos, com a possibilidade de fazer uma parada para fotos.

– Ao escolher uma companhia de aluguel de carros, escolha empresas conhecidas. Veja algumas delas: .

Sixt
Avis

Europcar

Eurocheapo

Budget

Descontos

Operadoras de cartões de crédito e alguns pacotes bancários oferecem, gratuitamente, opções interessantes para quem viaja. A Mastercard, por exemplo, tem parceria com a Budget. Promete descontos de até 25% para seus clientes. Cheque as condições do seu contrato e veja a cobertura do benefício.

Cartões Platinum do programa Van Gogh do Santander oferecem, gratuitamente, cobertura de seguro para aluguéis de carro. Regra é a mesma: verifique condições do contrato.

Onde retirar os carros

As empresas têm um setor só para elas nos aeroportos. Munidos do seu passporte, da sua carteira de habilitação internacional (vamos falar dela mais abaixo) e do cartão com o qual você fez a reserva, dirija-se para o guichê da operadora fazer o check-in do seu veículo. Você pode ter uma sorte do cão (como a gente) e pegar um Mercedez ao invés do Fiesta que você alugou inicialmente. 😀

Carteira de Habilitação Internacional

Alguns países permitem que o turista viaje com a carteira de habilitação do país de origem anexada ao passaporte. Mas ela precisa vir com tradução juramentada – que é um saco. Se você passar por França e Alemanha, por exemplo, já ferrou: duas traduções, em duas línguas?

Achamos mais barato retirar a Carteira de Habilitação Internacional, que é retirada no Detran. A do Auro foi rápida e indolor. Custou R$ 191,62 e a nova carteira chegou pelos Correios. O triste é que ela não vale no Brasil. Só no resto do mundo todo.

Mesmo assim, recomendamos!

Para saber mais, leia essas dicas:

Europa: avião, trem ou carro?
Carro na Europa – dicas do André Lot.

E que fique claro: poder alugar um carro é uma delícia. 🙂

A arte de dizer goodbye

Eu poderia ser qualquer coisa na vida, menos médica e dizedora de goodbyes.

A partida me dói. Estações de trens, rodoviárias, pontos de ônibus de cidades interioranas, são todos matéria de nostalgia.

No fim-de-semana que passou, expliquei para os amigos japoneses a palavra em português saudade. O inglês é tão objetivo, não a encontro na nova língua. Eles também não. E, por isso, a incorporaram ao vocabulário. Tasuku veio me dizer domingo, na prévia de partir:

– Estou sentindo uma coisa estranha… acho que já é saudade.

Na próxima sexta-feira (15), termino meu programa de estudos e também deixo Norwich. Já começo a me despedir de cada lugar. Para cada dia chuvoso, cada jardim, começo a dizer a eles um adeus calmo, mas definitivo.

Hoje Tasuku pegou o trem para Londres. Fugi para não dizer bye bye. Mas não teve jeito. Aya e Asaka me convocaram para um café. Só que tomar um latte esperando a hora da despedida é contagem regressiva, é tempo delimitado, é aguardar um fim que já está na soleira da porta. Foi um café cheio de risos, porque eram os últimos, mas de risos afetados por olhadelas no relógio.

Não encontrei nem Ingrid, nem Chiara, boas amigas que fiz aqui, nos respectivos dias em que voltaram para casa.

É emoção ao avesso ir à estação de trem, ver malas prontas, assistir a procura pela plataforma, a entrada no vagão, com a sensação de que aquele adeus é até nunca mais. Claro que há a possibilidade de um dia viajar e encontrar essas pessoas, mas a parte prática é que isso provavelmente não ocorrerá.

Esse sentimento de fatalismo é dolorido, mesmo que não haja tanto afeto assim. A questão não é deixar quem parte, mas se dar conta da existência inexorável da partida.

Após acompanhar Tasuku até a estação, aproveitei para comprar meu bilhete para Londres para a próxima sexta-feira, último dia de minha estada aqui.

A atendente me pergunta:

One way?

E eu me dei conta que Sim. É a minha vez de ir embora.

Atrás da minha casa tem um jardim, o James Stuart Garden. Após a morte de Stuart, sua esposa o construiu em homenagem a ele. Foi o seu modo de dizer goodbye, mas com arte.

De São Paulo a Norwich

Este post é um pouco longo. Mas, a viagem foi composta de várias etapas, as quais são narradas abaixo. Desde o embarque em São Paulo até a chegada em minha hospedagem, levei quase 24 horas e tomei meu primeiro “couro” no inglês.

Primeiro, sobre a viagem:

Meu vôo saiu de Guarulhos às 23h40 da última sexta-feira (23), sem atrasos. Voei TAM e me surpreendi positivamente: em cada poltrona tínhamos um painel de controle próprio, onde podíamos selecionar de filmes a envio de e-mail e SMS. Mesmo a classe econômica sendo algo sem muita variação, este vôo foi bem satisfatório.

Minha poltrona era a 28K (de Keila!), num conjunto de três – K, L e M. Sortuda que sou, o passageiro que sentaria ao meu lado, na poltrona L, faltou. Ou seja: dei uma esticadinha de corpo na poltrona vazia e dormi por várias horas. Na poltrona M, um senhorzinho tinha uma dificuldade enorme de entender a lógica daquele painel. Dei uns pitacos a ele porque sou solidária, mostrando como funcionava o menu e onde deveria ser encaixado o fone de ouvido.

Em vários momentos, tivemos turbulência, o que me fez pensar muito sobre a morte. Quando chegamos a Londres, me senti feliz por continuar viva e não causar pesar naqueles que amo com um falecimento repentino.

No aeroporto

Chegando no aeroporto de Heathrow, em Londres, às 15h, hora local, era hora de passar pela imigração e por aquele procedimento padrão: mostrar passaporte, polícia checar suas informações e fazer um pequeno interrogatório. Era uma fila grande. Fomos divididos, naturalmente, entre pobres e ricos: membros da Comunidade Europeia de um lado. O resto, do outro. Uma espanhola, grossa que só ela, foi bem estúpida comigo, mas, vou poupar os leitores deste detalhe sórdido. Só adianto que ela foi chamada pelo agente mais ríspido para apresentar seu passaporte. Sinto-me vingada.

Ao olhar a atuação dos agentes, fui emanando vibrações positivas para ser chamada por uma das mulheres, que pareciam ser bem amáveis. Vi uma garota ser entrevistada durante minutos a fio por um agente bonachão, que ficava sempre com um riso esgueirado na boca. Não fosse um local sério, posso jurar que ele estava constrangendo a moça propositalmente. Dois indianos foram postos num banquinho – descobri mais tarde que suas bagagens precisariam ser revistadas.

Bem, chegou a minha vez e, surpresa, fui enviada ao agente bonachão. Ela tinha cerca de 30 anos, rabo de cavalo e parecia estar brincando, o que me deixava mais nervosa. Corrigia meu inglês, falava “não é assim que se fala”, e tal. Pediu para ver a minha carta da escola, me fez algumas perguntas como: “quanto tempo você vai ficar aqui?”; “por que quer estudar inglês?”; “você tem dinheiro para se manter aqui?”; “é permitido a você trabalhar? Quantas horas?”. Depois de eu responder a essas questões, ele deu um suspiro profundo e carimbou meu passaporte. Eu havia, portanto, passado pelo temido aeroporto de Heathrow! Esse processo levou cerca de uma hora e meia. 

Dica: estudantes do Brasil que tirarem visto levem todos os documentos apresentados para o Consulado. Na imigração, eles podem checar tudo de novo.

Liberada que fui, passei por um setor, onde vi as malas da indiana, do banquinho, serem revistadas.

Do aeroporto a Norwich – um longo caminho

A viagem de Londres a Norwich foi um pouco longa – e cara, infelizmente. Precisei pegar dois metrôs e um trem para chegar à cidade de destino.

Eu nunca havia andado de metrô antes e nunca havia pedido e recebido informações em inglês. Mas, foi uma experiência muito legal! Ao final, me senti alguém capaz e independente. Neste meio tempo, curei definitivamente meu medo de escada rolante, já que tive que descer três lances, com três malas, para ter acesso ao terminal do metrô dentro do aeroporto.

No caminho da escada ao terminal de metrô, não encontrei nenhum depósito de lixo. Creio que seja uma medida de segurança, para que estes locais não sejam usados como esconderijo para bombas.

Peguei o Heathrow Express até a estação Paddington. Lá, acessibilidade zero, contei com a ajuda de ingleses simpatissíssimos, que me ajudaram com as malas para descer e subir escadas – não há rampas! No Terminal 16, peguei outro metrô para a Liverpool Street Station, de onde partem trens a cada meia hora para o leste inglês. A viagem a Norwich durou cerca de 2 horas.

No caminho, uma paisagem bonita, com árvores ainda secas, retrato de uma primavera que não chegou totalmente. Com o dia mais longo, o sol deu as caras até às 19h30, o que me permitiu fazer uma pequena filmagem, que será postada aqui ainda nesta semana.

Conforme o sol foi baixando, o frio tomou conta do ambiente. A meia que coloquei na frasqueira de viagem foi definitiva para que eu não congelasse por inteira.

 Já na cidade, fomos “recepcionados” por alguns garotos bêbados de alguma torcida misteriosa que, empunhando Heinekens, cantavam e gritavam algo incompreensível, rs.

 Chegada na host family – uma surpresa agradável

Ao chegar na casa de Mrs Sheil me surpreendi ao ver que ela não é nenhuma senhorinha solitária, como havia pensado. Ao contrário: aparenta ter quarenta e poucos anos, é bonita, toda sorridente e calorosa. Me ordenou que deixasse as malas ali mesmo, no corredor, enquanto seu filho, Reddan, quase da minha idade, também veio me recepcionar. Mal entrei na casa e já fui levada à mesa, onde conheci os demais presentes, que bebiam animados depois do jantar.

Reddan saiu com os amigos e Sheil fez um “típico” jantar para mim: pão tostado com feijão enlatado e bacon. E só.

Subi, guardei as malas e dormi até às 13h do dia seguinte.